Especialistas defendem observatórios de comércio ilícito na América Latina

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Da Redação – No segundo dia da reunião da Aliança Latinoamericana Anticontrabando (Alac), em San José, capital da Costa Rica, um tema dominou os debates: a necessidade de maior integração entre os países do continente para o combate a esse crime que não respeita fronteiras.

Paola Buendía, vice-presidente da Associação Nacional de Empresários da Colômbia (ANDI) afirmou que os países da América Latina devem avançar na criação de observatórios do comércio ilícito. Atualmente na região existem observatórios deste tipo no Chile e na Costa Rica.

O Brasil está inovando nesta frente. Recentemente o ministro da Justiça, Sergio Moro, anunciou a criação de um grupo de trabalho para estudar a criação de centros integrados de operações de fronteira. Em maio, o município brasileiro de Foz do Iguaçu irá receber o primeiro centro, uma iniciativa piloto que visa estruturar um modelo teste de referência que possa ser replicado em outras regiões no futuro.

De acordo com os dados da ALAC, o contrabando movimenta na região recursos equivalentes a 2% do PIB da América Latina, ou cerca de U$S 210 bilhões anuais, afetando indústrias como as de siderurgia, metalomecânica e aço; tabaco, licores, medicamentos e cosméticos; plásticos e calçados; têxteis e confecções; e segurança cibernética.

Um dos principais problemas a serem enfrentados é o avanço do contrabando de cigarros. De acordo com Edson Vismona, presidente do Instituto Brasileiro de Ética Competitiva (ETCO), “os cigarros são responsáveis por 67% de todas as apreensões de produtos contrabandeados no Brasil. O líder do mercado é o cigarro que vem ilegalmente do Paraguai. Estamos dando o mercado brasileiro de bandeja para os contrabandistas”.

A instalação do projeto piloto em Foz do Iguaçu vai endereçar esse problema. O Paraguai é um ponto estratégico para o comércio ilegal devido à sua localização geográfica, especialmente a partir da região da Tríplice Fronteira (Argentina-Brasil-Paraguai).

“O mais difícil no Brasil é combater o contrabando em nossas fronteiras. Existem sete fronteiras triplas e a mais estratégica é o Brasil, o Paraguai e a Argentina. Então falamos de uma situação desafiadora e devemos unir nossos esforços”, acrescentou Vismona.

Em 2018, o contrabando de cigarros dominou 54% do mercado no Brasil, 24% do chileno e 12% do argentino.

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