Especialista afirma que São Paulo caminha para nova crise hídrica

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Da Redação – O nível do Sistema Cantareira, principal reservatório de abastecimento de água da capital paulista, voltou a atingir um número preocupante, apenas 39,6% do volume, mesmo após chuvas.

Em comparação a 2013, a porcentagem é menor que a pré-crise hídrica, quando operava em 56%. O reservatório Jaguari, que fornece água para a cidade de Santa Isabel, na região metropolitana de São Paulo, opera com apenas 34,37% do volume, caminhando também para uma crise de abastecimento. Mesmo em estado de alerta desde o início do mês de agosto, os paulistanos não parecem preocupados com a possibilidade de uma nova crise. Por que será?

De acordo com o especialista em eficiência hídrica, Wagner Cunha Carvalho, membro do Instituto para a valorização da Educação e da Pesquisa no Estado de São Paulo (IVEPESP), o risco de uma nova crise hídrica existe se os níveis continuarem caindo e alerta para a população voltar a economizar o recurso.

“Estamos ainda no período oficial de seca, que começou em junho, e apesar das poucas chuvas que tivemos, não é bom sinal o volume da Cantareira continuar caindo. Após divulgações da Sabesp, meses atrás, dizendo que as represas tinham recuperado seu volume, uma taxa de contingência foi aprovada para consumos excedentes na conta de água, a nível de crise. Consequentemente, se entrarmos numa, a despesa irá ficar pesada. A realidade da crise hídrica pode voltar até o final do ano, ainda pior, caso não tenhamos chuvas significativas para aumentar o volume do reservatório. O que temos que fazer é retomar o uso racional o quanto antes, e buscar meios de economia significativa do recurso”, explica.

Wagner nos lembra que existem métodos a serem adotados por empresas, indústrias e condomínios, grandes potenciais de uso irregular do recurso, para acabar com o desperdício. “Existem peças específicas, popularmente chamadas de adaptadores econômicos, que acoplados às saídas de torneiras e em sanitários, poupam cerca de 98% de água por minuto em relação às torneiras comuns. São tecnologias importadas da Suécia e Alemanha, com baixo custo e eficiência comprovada. Além disso, a comunicação visual, cultura sustentável, varredura em canos no subsolo com Geofones, para detectar possíveis defeitos invisíveis e todo um suporte virtual, garantem uma economia eficiente e altamente sustentável em qualquer empresa, indústria ou condomínio”, diz.

Além de evitar o uso desnecessário, essas tecnologias (arejadores de vazão de água, reguladores de vazão, redutores de pressão, jet sprays e dual flush, manuais e infravermelho) influenciam diretamente na conta de água, já que o consumo é diminuído. “É possível economizar até 60% na conta, que além de ajudar o planeta, alivia o bolso desses principais consumidores”, releva o especialista.

Para as residências, as dicas são:

– Evite tomar banhos demorados. Para as crianças, use um “timer” de 5 minutos, como um desafio positivo. Priorize a água para enxaguar o corpo.

– Evite fazer a barba (homens) e lavar lingeries (mulheres) durante o banho.

– Não use a descarga para outros fins, como lixeira de papel.

– No ato de lavar a louça, limpe bem os restos de alimentos e enxague-a toda de uma vez.

– Lave as roupas na máquina quando estiver com o cesto cheio. No tanque, feche a torneira enquanto ensaboa as peças.

– Não utilize a mangueira para lavar o carro e a casa. Priorize um balde e pano.

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