Em algum lugar do passado…

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* Márcio Trevisan – Uma das maiores polêmicas com a qual me deparei logo em meus primeiros dias de carreira foi uma discussão protagonizada por dois jornalistas veteranos na saudosa redação de A Gazeta Esportiva.

Um deles defendia a tese de que, para ser considerado vencedor por goleada, um time teria apenas de ganhar por três gols de diferença – ou seja: para ele um placar de 3 a 0 já poderia assim ser considerado.

Já o outro, mais exigente, batia o pé e cravava: para ganhar por goleada, uma equipe teria obrigatoriamente de marcar pelo menos quatro gols. E ia além: não importava a diferença – ou seja, para ele um placar de 4 a 3 já poderia assim ser considerado.

Não sei qual dos dois ganhou a discussão, e para ser sincero creio que até hoje tal fato é motivo de muita controvérsia entre jornalistas e torcedores, que se dividem entre ambas as qualificações.

O que eu sei é que, no passado, placares elásticos mas não necessariamente com grande diferença de gols eram algo até certo ponto comum. São diversas, por exemplo, as vitórias do Santos de Pelé obtidas desta forma, sendo a mais famosa delas uma por 7 a 6 sobre o Palmeiras, válida pelo Torneio Rio-São Paulo de 1958.

Daí a partida entre Grêmio/RS e Fluminense/RJ, neste domingo, ter me feito entrar no túnel do tempo e relembrar uma época do futebol que, admito, sequer cheguei a acompanhar, já que nasceria uma ou duas décadas mais tarde. Em outras palavras: com o 5 a 4 que construíram, ambos os tricolores me fizeram sentir saudades do que não vivi.

E acho que é exatamente aí que está a graça da coisa – sem dúvida alguma, foi pelo futebol que gaúchos e cariocas apresentaram à noite que eu, ainda muito criança, me apaixonei, e não por esta sucessão de “uns a zeros” que, lamentavelmente, se tornaram cada vez mais comuns no futebol brasileiro nos últimos anos.

E o que é ainda pior: poderão se tornar sua marca registrada muito em breve (sobretudo se aqueles treinadores que fazem suas equipes jogarem exclusivamente na defesa continuarem a se sagrar campeões).

Que o placar construído hoje por Grêmio/RS e Fluminense/RJ se repita muitas e muitas vezes pelos gramados do País. Desta forma, a magia do futebol brasileiro não ficará apenas em algum lugar do passado.

Curtinhas

Parabéns, Galo! – Cumpridas três rodadas do Brasileirão, quem aparece na liderança isolada e com 100% de aproveitamento não é Palmeiras, Flamengo/RJ e nem Cruzeiro/MG, os maiores favoritos à conquista do título do Campeonato Brasileiro, mas sim o Atlético/MG, clube que está em crise após a precoce eliminação na Copa Libertadores e também com um treinador interino. Mas o fato é que o Galo começou muito bem o Brasileirão e já há quem defenda a efetivação de Rodrigo Santana no comando da equipe.

Parabéns, Ramalhão! – O Santo André precisaria vencer a Inter de Limeira por pelo menos dois gols de diferença para ser o grande campeão da Série A-2 do Campeonato Paulista deste ano. E não deu outra: com show de Jobinho, que marcou duas vezes, a equipe do ABC venceu por 3 a 1 e ficou com a taça. Ambas as equipes, e provavelmente também o Água Santa, que deverá herdar a vaga do extinto RB Brasil, ascenderão à elite do Paulistão em 2020.

Parabéns, Vampeta! – O Audax obteve neste domingo o título da Série A-3 do Paulistão. Mesmo atando fora de casa, a equipe de Osasco bateu o Monte Azul por 2 a 0 e garantiu a conquista. Ambas as equipes, e caso o Água Santa seja confirmado na Série A-1 do ano que vem talvez também o terceiro colocado na classificação geral, o Barretos, jogarão a Segundona paulista na próxima temporada. Para quem não sabe, o presidente campeão é ninguém menos do que o ex-jogador Marcos André Batista Santos, mais conhecido como Vampeta.

“Parabéns”, CBF! – Não que tenha sido uma surpresa, longe disso, mas a CBF conformou nesta semana os dois amistosos que a Seleção Brasileira fará como preparativos finais para a Copa América. Os adversários, claro, serão de “primeiríssimo nível”: Catar, no dia 05.06, em Porto Alegre/RS, e Honduras, em 09.06, na cidade de Brasília/DF. Apenas constar: no ranking oficial da FIFA, os asiáticos ocupam a 55ª posição, enquanto os centro-americanos estão em 61º lugar.

 

* Márcio Trevisan é jornalista esportivo há 30 anos. Começou no extinto jornal A Gazeta Esportiva, onde esteve por 12 anos. Passou, também, pelas assessorias de Imprensa da SE Palmeiras e do SAFESP, além de outros órgãos. Há 13 anos iniciou suas atividades como Apresentador, Mestre de Cerimônias e Celebrante, tendo mais de 450 eventos em seu currículo. Hoje, mantém os sites www.marciotrevisan.com.br e www.senhorpalmeiras.com.br. Contato com o colunista pelo e-mail apresentador@marciotrevisan.com.br.



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