Eleição da continuidade!?

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* Caio Bruno – Comparada com outros países, a reeleição dos integrantes do Poder Executivo é algo recente, mas já está enraizada no sistema político-eleitoral.

Desde a instalação da regra, todos os presidentes da República que buscaram renovar seus mandatos conseguiram a vitória, já para as eleições municipais o índice é volátil.

Sempre com a média de 55%, em 2008, alcançou o maior número com 66% dos prefeitos que tentaram um segundo mandato consecutivo e se sagraram vencedores. Mas em 2016 o dígito caiu para o menor da série histórica, apenas 47%.

Influenciam nesses dados diversos fatores, como gestão, desempenho da economia local e nacional, humores e preocupações do eleitorado, além de taxas de avaliação. Na eleição de 15 de novembro de 2020 há uma nova carta na mesa: a pandemia do Coronavírus.

Não há dúvida de que este pleito favorecerá o bom gestor que será candidato a reeleição. Além das questões sanitárias que impedem aglomerações e consequentemente reuniões com grande número de pessoas, o que favorece o candidato mais conhecido (geralmente a cidade inteira conhece quem é o prefeito/a). Nesse período, os chefes do Executivo tiveram ampla exposição positiva na mídia com entrevistas, reportagens e lives.

Outro ponto a ser considerado é o da segurança. Em maior ou menor escala, as pessoas se sentem em risco e vulneráveis. Assim sendo, tendem a apoiar o candidato à reeleição por já conhecerem qual é a sua linha de ação, plano de governo, planejamento e eficácia.

É o dilema popularmente conhecido como “trocar o certo pelo duvidoso”. Na dúvida, a população prefere quem já mostrou trabalho e responsabilidade no trato com a cidade, a Covid-19 e seus problemas.

Claro que não há uma certeza absoluta e obviamente haverá casos em que o prefeito (a) não se reelegerá. Seja por conjuntura, gestão rejeitada, escândalos e também quando for confrontado nas urnas com adversários tão conhecidos quanto e que exerceram ou exercem cargos públicos de prestígio e mostraram bom trabalho.

Mas o processo eleitoral é perspectiva. E para o pleito desse ano é a da continuidade. O índice de prefeitos reeleitos será maior que os 47% da última eleição municipal.

* Caio Bruno é jornalista, pós-graduado em Comunicação e especialista em Marketing Político. www.caiobruno.com.br

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1 comentário on "Eleição da continuidade!?"

  1. Regina Ribeiro

    Concordo com a análise em gênero, número e grau ! A pandemia facilitará e muito a reeleição ao executivo, quiçá ao legislativo também, pois alguns parlamentares ligados às bases de sustentação, surfaram de carona na onda dos Prefeitos na exposição frente à grande mídia e redes sociais, através das LIVES. Mas como tudo na vida, há um porém, esse “presente ” indigesto chamada COVID-19 , pode vir a ser um “Cavalo de Tróia”, pois os atuais executivos que porventura são suspeitos de estarem envolvidos no tal de COVIDÃO, que vem sendo investigado agilmente pela PF, graças ao trabalho das Cortes de Contas, poderão vir a ser execrados pelo eleitorado em resposta à indignação aos seus atos administrativos num momento singular como este. Então, nem tudo poderá ser um vôo em “Céu de Brigadeiro”. (Regina Ribeiro – Lisboa- Portugal).

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