Ele, sim!

492 0

* Márcio Trevisan – Começaram neste final de semana os campeonatos mais criticados por grande parte dos jornalistas esportivos e, também, por vários torcedores.

Os torneios estaduais, outrora valorizados a ponto de serem considerados os mais importantes do ano, foram de forma gradativa e constante perdendo prestígio graças a regulamentos muitas vezes esdrúxulos, a equipes interioranas quase sempre fraquíssimas e ao desdém dos grandes clubes cada vez maior.

Os que defendem, por vezes até mesmo de forma veemente, a simples extinção de tais competições ainda têm dois argumentos difíceis de serem contestados: o Brasil é o único país do mundo em que existe este tipo de disputa e, com raríssimas exceções, já se sabe de antemão que muito dificilmente o campeão não será um dos maiores times do local.

Embora reconheça que todos estes fatos realmente acontecem, não engrosso o coro daqueles que defendem o simples encerramento dos campeonatos estaduais.

Talvez por ser dos tempos do futebol romântico, ainda me emociono com a rivalidade interna, ainda fico de olho em alguma revelação que uma equipe do interior possa apresentar (como se deu milhares de vezes no passado), ainda acho salutar a resenha de toda segunda e quinta no escritório, na loja ou mesmo à frente da banca ao ler as manchetes dos jornais que, infelizmente, a cada dia se tornam mais raros.

Na verdade, em síntese são apenas duas as razões que fazem o País do Futebol a manter esta situação: o inacreditável número de clubes profissionais e, consequentemente, de jogadores profissionais e, também, a situação de penúria infinitamente maior por que passaria a quase que totalidade dos pequenos times do Brasil caso eles, os regionais, passassem a não existir.

Se não inseridas em uma das quatro divisões nacionais, as equipes têm apenas as competições estaduais (ou seja, algo em torno de três ou quatro meses, no máximo) para arrecadar dinheiro e se manterem vivas no restante do ano. Caso nem isso tivessem, seria ainda maior o número de atletas desempregados.

Obviamente, é indiscutível o fato de que, no futebol atual, as disputas regionais são as menos atrativas para os maiores clubes, sobretudo para aqueles classificados para campeonatos sul-americanos. Por outro lado, elas são, também, as mais (ou, em muitos casos, as únicas) interessantes aos menores clubes.

Portanto, defender o término daquelas é dar eco àqueles que, quando o seu time as perde, tratam-nas no diminutivo, mas quando sua equipe as vence passam a chamá-las no aumentativo. Ou seja: dar um fim a este tipo de competição, por mais deficitária ou sem graça que algumas delas possam ser, é elitizar ainda mais o futebol. E isso, definitivamente, não é politicamente e – muito menos esportivamente – correto.

Que viva eternamente, pois, o torneio estadual. A ele eu sempre direi “sim”.

Curtinhas

E o Tricolor já é o melhor… – Após terminar em último lugar a Florida Cup, o São Paulo chegou a preocupar seus torcedores. Mas, se depender da estreia no Paulistão, tudo sairá muito bem, obrigado. No sábado, o time de André Jardine goleou o fraquinho Mirassol por 4 a 1, no Pacaembu, e após o fim da primeira rodada do Campeonato Paulista é o líder não só de seu grupo, mas também de toda a competição pelo critério de saldo de gols.

Com a cara do Carille – Se alguém ainda não sabia que Fábio Carille reassumiu o comando do Corinthians, ficou sabendo neste domingo. Sua equipe teve gigantescas dificuldades em finalizar a gol durante toda a partida, saiu perdendo e só conseguiu empatar com o São Caetano em um lance de bola parada aos 49 minutos do segundo tempo. O resultado, claro, não pode ser considerado positivo, já que o jogo aconteceu no Itaquerão, mas falemos a verdade: tudo isso não é a cara do Carille?

Fim dos tempos – Eram 23 minutos do segundo tempo e o Palmeiras empatava com o Red Bull Brasil por 1 a 1. Felipão, então, chama Deyverson para entrar na partida, mas o que deixou a muitos boquiabertos foi que os mais de 10 mil palmeirenses que estavam no Estádio Moisés Lucarelli, em Campinas/SP, vibraram com isso. Quando uma torcida que já teve em seu time alguns dos maiores centroavantes da história do futebol brasileiro vai ao êxtase no momento em que um jogador de reconhecida limitação técnica é chamado, isso prova que o mundo deve mesmo estar perto do fim.

Boca maldita. Mas verdadeira. – Jorge Sampaoli mal assumiu o comando do Santos e já percebeu que pode ter caído no conto do vigário. Durante a semana, admitiu não ter sido informado sobre a difícil situação financeira pela qual passa o clube e que, por isso, acredita que os reforços que pediu não chegarão nem em sonho. Já no sábado, logo após a magra, porém merecida vitória por 1 a 0 sobre a Ferroviária, na Vila Belmiro, ele desabafou sobre a saída de Bruno Henrique para o Flamengo/RJ, dizendo-se surpreso pela forma de agir do atleta: escalado como titular, ele simplesmente não se apresentou na concentração. “Este é um caso para a diretoria, mas parece que aqui o atleta faz o que quer”.

Total 2 Votes
0

Tell us how can we improve this post?

+ = Verify Human or Spambot ?

Nenhum comentário on "Ele, sim!"

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *