Diniz infeliz é rima, e não solução!

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Márcio Trevisan

* Márcio Trevisan – O futebol é cíclico. Todos os clubes passam por excelentes e péssimas fases, que podem durar mais ou menos tempo. Para nos atermos apenas a alguns exemplos e somente aos grandes paulistas, quem esquece as Academias do Palmeiras, a Democracia Corintiana, o Santos de Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe ou o tri brasileiro, continental e mundial do São Paulo?

Por outro lado, todos certamente se lembram dos dois rebaixamentos do Verdão, dos times “Faz-me Rir” montados pelo Timão na década dos 60 e 70, do período de 22 anos (entre 1974 e 1996) em que o Peixe faturou apenas dois títulos expressivos (ambos do Paulistão) e, agora, dos já mais de oito anos que o Tricolor não sabe o que é levantar uma taça.

Resolvi tratar deste tema ao assistir mais uma fraquíssima atuação da equipe do Morumbi neste Brasileirão. No empate com o horroroso Coritiba/PR, em 1 a 1, neste domingo me chamou a atenção a expressão do técnico Fernando Diniz logo após o apito final: seu rosto não mostrava apenas tristeza, mas também desilusão; não indicava somente frustração, mas desalento; não exibia unicamente irritação, mas um sentimento de que “já deu”.

Extremamente criticado pela torcida, que o considera um dos principais responsáveis pela má fase por que passa a equipe, o treinador são-paulino dá indícios de que está prestes a fazer aquilo que a diretoria do clube não tem coragem, já que será desfeita a partir de 2021: encerrar sua passagem pelo São Paulo FC.

É óbvio que ele tem uma enorme parcela de responsabilidade pelos recentes insucessos tricolores, como as eliminações para o inexpressivo Mirassol/SP no Campeonato Paulista e ainda na fase de grupos da Copa Libertadores da América, mas Diniz não paga apenas por isso ou por, teimosamente, não se permitir fazer uma única adaptação a seu ofensivo estilo de jogo.

Na verdade, ele carrega nas costas tudo o que de mais importante o Tricolor não conseguiu ganhar nos últimos 15 anos, ou seja: 15 Campeonatos Paulistas, 11 Campeonatos Brasileiros, 13 Copas do Brasil, 10 Copas Libertadores e 8 Copas Sul-Americanas. É claro que ele não é o culpado por tudo isso, mas o cargo que ocupa lhe imputa tal ônus – e o torcedor não quer nem saber: pede sua cabeça a cada jogo que o time não ganha e, às vezes, até mesmo quando o time ganha.

A constante expressão de derrotado do comandante são-paulino espelha não só o atual momento por que passa seu glorioso clube, mas principalmente seu estado de ânimo. É quase que uma imagem em altíssima resolução de seu estado de alma. Em outras palavras: Diniz está infeliz.

E como certa vez disse um gênio, isso pode até ser uma rima, mas não é uma solução.

Márcio Trevisan

* Márcio Trevisan é jornalista esportivo há 31 anos. Começou no extinto jornal A Gazeta Esportiva, onde atuou por 12 anos. Passou, também, pelas assessorias de Imprensa da SE Palmeiras e do SAFESP, além de outros órgãos. Há 14 anos iniciou suas atividades como Apresentador, Mestre de Cerimônias e Celebrante, tendo mais de 450 eventos em seu currículo. Hoje, mantém os sites www.senhorpalmeiras.com.br e www.marciotrevisan.com.br. Contatos diretos com o colunista podem ser feitos pelo endereço eletrônico apresentador@marciotrevisan.com.br.

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