Dilma questiona quem tem biografia limpa para atacar sua honra

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Da Redação – Ainda sob a sombra da possível abertura de um processo de impeachment, a presidente Dilma Rousseff reagiu às ameaças de impedimento em discurso no Congresso Nacional da CUT (Central Única dos Trabalhadores) nesta terça-feira (13), em São Paulo, questionando abertamente a integridade dos que querem sua saída do cargo. “Quem tem força moral, reputação ilibada e biografia limpa suficientes para atacar a minha honra?”, disse Dilma. “Lutarei para defender o mandato que me foi concedido pelo voto popular, pela democracia e por nosso projeto de desenvolvimento.”

Em uma das defesas mais claras de seu governo desde o início do segundo mandato, Dilma afirmou que o combate ao avanço do desemprego passa pela estabilidade política e criticou o que chamou de “terceiro turno” buscado pela oposição desde o fim das eleições de 2014, mais uma vez falando em “golpismo”.  “Hoje, nós vivemos uma crise política séria no nosso país. Neste exato momento, se expressa na tentativa dos opositores de fazer o terceiro turno. Essa tentativa começou no dia seguinte às eleições. Agora, ela se expressa na busca incessante da oposição de encurtar seu caminho ao poder, de dar um passo, um salto, e chegar ao poder fazendo um golpe, dando um golpe”, afirmou a presidente, que ressaltou seus 54 milhões de votos.

Dilma demonstrou especial preocupação em demonstrar que seu governo não está parado, citando números do ensino superior, do Pronatec e do Minha Casa, Minha Vida. A presidente também defendeu os gastos de seu mandato e fez uma crítica direta à decisão do TCU (Tribunal de Contas da União), que recomendou a reprovação das contas públicas de 2014. A presidente também aproveitou a plateia favorável no centro de convenções do Anhembi para convocar o apoio da população. “A hora é de unir forças. A hora é de arregaçar as mangas e combater o pessimismo e a intriga política”, afirmou.

Dilma participa do evento em um dia simbólico das dificuldades políticas de seu segundo mandato, iniciado em janeiro. Até a tarde, o governo comemorava as decisões do STF (Supremo Tribunal Federal) que impedem a oposição de tentar transferir ao plenário da Câmara dos Deputados a abertura um processo de impeachment — a responsabilidade fica nas mãos apenas do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). No entanto, no fim do dia, a oposição já trabalhava em um novo pedido de impedimento da presidente.

Já com apoio restrito no Congresso mesmo entre partidos aliados, a situação de Dilma ficou ainda mais frágil no dia 6, quando o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) decidiu abrir uma investigação sobre a campanha que elegeu a presidente e seu vice, Michel Temer, no ano passado, o que pode levar à cassação do mandato da chapa. Logo depois, foi a vez do TCU (Tribunal de Contas da União) recomendar, por unanimidade, a reprovação das contas do governo em 2014.

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