Dia do Meio Ambiente: formar bons cidadãos é o maior presente

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* Murilo Valle – Significativa parcela da sociedade compreende que hoje as questões ambientais influenciam no dia-a-dia, pois alguns temas, tais como reciclagem, economia de energia e saneamento básico já fazem parte das conversas cotidianas. Mas o perfil que os brasileiros desenham para as boas condições de qualidade de vida incluem hábitos que, notadamente, são contraditórios ao estabelecimento de um ambiente saudável.

O conceito de qualidade de vida recebe várias conotações, não obstante, àquele que incorpora a aquisição de bens e poder aquisitivo de compra é o que ganha mais adeptos. Neste contexto, fortifica-se o consumismo , que pode ser definido como o ato de comprar produtos e serviços sem necessidade. O consumismo é um traço cultural marcante na sociedade contemporânea, sobretudo pela força de ação das mídias de massa, que estimulam o consumo desordenado.

Parte do discurso ambiental da atualidade, amparado pelas questões inerentes ao aquecimento global, firma-se no desenvolvimento sustentável, porém, julgo que o foco para a resolução da questão está, em parte, desviado. Dá-se muita importância para ações sustentáveis julgando que estas irão garantir um mundo melhor para nossos filhos e netos, no entanto, além disso, é fundamental fortalecer o alicerce da sociedade futura, de forma que esta possa, no mínimo, dar continuidade às ações.

As crianças não nascem consumistas. São moldadas em determinados padrões de consumo e valores éticos em que o risco às futuras gerações torna-se evidente. Os efeitos do excesso de consumismo infantil já são facilmente percebidos: obesidade, erotização precoce, banalização da violência (principalmente pelo intermédio dos games), dentre outros e, neste quadro, desenha-se uma luta entre quem educa e o mercado global.

A criança é, para o mercado, um consumidor em desenvolvimento e uma potente ferramenta de influência de consumo de uma família, tendo a TV, por meio das propagandas, o papel de persuadir e levar a criança a interferir em inúmeras decisões.

Um fator complexo no contexto do consumismo é a linha tênue existente entre o consumo e a ética. Comprar produtos falsificados para algumas famílias é algo normal e, pior ainda, banalizada tal como a corrupção e violência. Crianças que se desenvolvem neste cenário poderão encarar com a mesma naturalidade as questões éticas, sociais e econômicas o que, fatalmente, será péssimo para a execução das ações que a sociedade adulta atual planeja para elas.

Os ímpetos e o entusiasmo na época de “datas comemorativas”, principalmente para presentear as crianças, em muitos casos, blindam qualquer reflexão sobre o efetivo sentido da data e também as escolhas na hora das compras, momento que dificilmente os valores ambientais são considerados. Presenteie as crianças com brinquedos duráveis, que possam ser doados posteriormente ou reciclados.

Na hora da compra, prestigie produtos nacionais e o comércio local, reduzindo ao máximo os impactos ambientais decorrentes do transporte. Minimize o uso de embalagens e pacotes. Para os brinquedos eletrônicos compre pilhas nacionais certificadas, pois os fabricantes garantem o descarte adequado posteriormente. Não misture resíduos orgânicos (restos de alimentos) com resíduos recicláveis (embalagens); se sua cidade não tiver um sistema adequado de coleta de resíduos recicláveis, faça a separação em casa e destine em ecopontos, muitas vezes existentes em supermercados. Nos almoços e festas, evite desperdício de alimentos. Combine com a família e amigos os cardápios. R$70 bilhões é o prejuízo anual do Brasil com comida, valor que seria possível alimentar cerca de 20 milhões de pessoas.

Voltando ao apelo inicial, temos que lutar hoje por filhos e crianças melhores, ou seja, não significa que devemos entregar para eles um mundo com tudo de bom, mas sim, dar-lhes condições para que entreguem ao mundo o seu melhor. Temos que formar uma geração em que a honestidade, a ética e o respeito ao próximo sejam os pilares. Isso é educação. Esse é o melhor presente para as futuras gerações!

 

Fotos para divulgação do Prof. Dr. Murilo Andrade Valle, candidato à reitoria da Fundação Santo André. Fotos: Otavio Valle/Divulgação* Professor Murilo Valle é Doutor e Mestre em Geologia pela IGc (Universidade de São Paulo) e coordenador do Curso de Engenharia Ambiental – FAENG (Fundação Santo André). Contato com o colunista pelo e-mail murilovalle@hotmail.com

 

 

Estudantes de São Caetano plantam mudas de árvores em parque da cidade       Foto-PMSCS

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