A culpa é de Culpi

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* Márcio Trevisan – A frase que intitula este texto é, claro, uma brincadeira com o novo treinador do Santos. O trocadilho que todos os torcedores sempre fazem utilizando seu nome vai, inclusive, ao encontro da personalidade de Levir, quase sempre muito bem humorado e sagaz em suas tiradas para a Imprensa. Ele, na verdade, utiliza seu rápido raciocínio e sua cultura acima da média – se comparada à maioria de seus colegas de profissão – para se aproximar dos jornalistas, ganhar destes a simpatia e, desta forma, amenizar toda e qualquer crítica que deles possa receber.

Sei de tudo isso porque tive a oportunidade de trabalhar sob seu comando durante sua infelizmente inesquecível passagem pelo Palmeiras, em 2002. Assessor de Imprensa do clube na ocasião, conheci de perto seu método de trabalho, seus defeitos e suas qualidades. E embora estas inquestionavelmente se sobrepusessem àqueles, não foram suficientes para livrar o Verdão do rebaixamento à Série B do ano seguinte.

Claro que, de lá para cá, muita coisa aconteceu na vida profissional de Levir Culpi. Ele teve passagens em grandes clubes brasileiros, como Botafogo/RJ, Cruzeiro/MG e Atlético/MG, ficou seis anos no Cerezo Osaka japonês e também ganhou alguns títulos, sendo o mais importante deles o da Copa do Brasil de 2014, quando dirigia o Galo. Ou seja: é claro que o técnico teve uma ascensão em sua carreira – só não sei se tal mudança de patamar será capaz de torná-lo o melhor nome para o lugar de Dorival Jr.

Explico: é sabido que dentro do elenco do Peixe existe o que se chama de “igrejinha”, ou seja, um grupo dentro do próprio grupo. Neste caso, ironicamente, ela é formada pela ala evangélica do elenco, composta por importantes nomes, como David Braz, Zeca, Lucas Lima, dentre outros, e capitaneada por Ricardo Oliveira, o mais importante jogador da equipe.

Segundo fontes ouvidas por este jornalista dentro da Vila Belmiro, este foi o principal problema do ex-treinador, que não aceitava tal divisão e acabou batendo de frente com os crentes do grupo. A torcida santista, aliás, chegou a protestar após maus resultados pichando os muros do clube com frases como “Menos reza e mais bola”, entre outras impublicáveis.

Ou seja: o primeiro desafio de Levir Culpi à frente do Santos será fazer com que a tal “ala evangélica” não mais expanda seus domínios para o restante do grupo. Se conseguir, ótimo para ele e para o Peixe; mas se não conseguir, como Dorival Jr. também não conseguiu, que a galera santista entenda que nem sempre a culpa é de Culpi.

CURTINHAS

O preço da banana – O presidente do Flamengo/RJ, Eduardo Bandeira de Mello, envolveu-se numa confusão com um torcedor antes do jogo em que sua equipe empatou com o Avaí/SC, neste domingo, em Florianópolis/SC. Ao se revoltar com uma faixa que hostilizava o diretor de futebol executivo, Rodrigo Caetano, ele fez um sinal de negativo, e então passou a ser xingado por alguns torcedores. Irritado, deu uma “banana” à galera, o que obviamente a deixou ainda mais irritada. O problema é que ambos os gestos foram flagradas pelo repórter fotográfico Antônio Carlos Mafalda, e agora poderão servir de prova para o STJD caso o órgão decida por julgar o dirigente.

De cabeça pra baixo – Flamengo/RJ, Atlético/MG e Palmeiras eram, e talvez até continuem sendo, os três principais candidatos ao título do Brasileirão deste ano. Mas, cumpridas as seis primeiras partidas de cada um deles na competição, a verdade é que os três seguem na parte de baixo da tabela de classificação e, claro, rondando a sempre temida ZR4. Os mais desavisados poderiam até pensar que há uma inversão total de valores no futebol brasileiro, mas a verdade é que tal situação, embora plenamente mutável em pouco tempo, nada mais faz do que espelhar com precisão o grau de equilíbrio que toma conta da principal competição nacional.

De binóculo – Enquanto isso, o Corinthians nada de braçada neste Campeonato Brasileiro e não vê absolutamente ninguém à sua frente. A mais recente vítima foi o São Paulo, derrotado na Arena alvinegra por 3 a 2. No meio da semana passada, os comandados de Fábio Carille aplicaram históricos 5 a 2 no Vasco da Gama/RJ em pleno São Januário. Ou seja: depois de acertar o sistema defensivo, ao que parece o novato treinador começa, também, a acertar o ataque de sua equipe. Se continuar assim, talvez o Paulistão não fique sendo o único título a ser comemorado pelos milhões de corintianos que ecompõem o bando de loucos.

Vai ficar na vontade – O atacante Richarlison, uma das melhores revelações do futebol brasileiro nos últimos tempos, pisou feio na bola no último sábado. Após receber uma proposta do Palmeiras, negou-se a jogar pelo Fluminense/RJ na partida entre ambas as equipes alegando “não ter cabeça” para atuar. Resultado: seu gesto irritou demais o presidente do Tricolor carioca, Pedro Abad, que por birra soltou uma nota oficial garantindo que, para o Verdão, o atacante não será negociado por dinheiro nenhum neste mundo. Ciente que a besteira que cometeu inviabilizou sua transferência para o atual campeão brasileiro, o jovem talento, de apenas 20 anos, pediu desculpas à galera do Flu em uma rede social. Mas será que ainda terá clima para seguir nas Laranjeiras?

* Márcio Trevisan é jornalista esportivo há 28 anos. Começou no extinto jornal A Gazeta Esportiva, onde esteve por 12 anos. Passou, também, pelas assessorias de Imprensa da SE Palmeiras e do SAFESP, além de outros órgãos. Há 11 anos iniciou suas atividades como Apresentador, Mestre de Cerimônias e Celebrante, tendo mais de 360 eventos em seu currículo. Hoje, mantém o site www.senhorpalmeiras.com.br. Contato com o colunista pelo e-mail trevisan.marcio1968@uol.com.br

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