Corinthians: ser ou não ser? Eis a questão…

332 0

* Márcio Trevisan – Cada clube tem um DNA. Mesmo com a natural substituição dos jogadores, dos treinadores e, em alguns casos, infelizmente até mesmo das camisas, o jeito de ser do time continua intacto. Vou dar um exemplo: o Grêmio/RS sempre se notabilizou por ter atletas guerreiros que, nem sempre providos de muita técnica, fizeram-se prevalecer pela alma que deixaram em campo. Já seu maior rival, o Inter/RS, historicamente sempre foi formado por craques que tinham na habilidade sua principal característica.

Isso acontece, como disse acima, com todos os clubes. E com o Corinthians também. Muito embora vários tenham sido aqueles que jogavam acima da média que fizeram parte de sua história – Cláudio, Roberto Belangero, Dino Sani, Rivellino, Wladimir, Sócrates, Marcelinho Carioca,… – historicamente o Timão sempre protagonizou campeonatos com nomes que sobrepunham a vontade à qualidade – Luizinho, Idário, Zé Maria, Biro-Biro, Ezequiel, Viola, Ralf,…

Neste ano, o Corinthians resolveu inverter a ordem natural das coisas. Após um longo tempo adotando um esquema de jogo totalmente defensivo (e que lhe valeu a conquista de quatro torneios – três paulistas e um brasileiro), o pessoal de Itaquera chegou à conclusão de que era retranca demais para uma equipe tão gloriosa. De fato, o Timão de Fábio Carille, embora vencedor, chegava a envergonhar até mesmo seus mais fanáticos torcedores, tamanha era a aptidão defensiva e a quase nulidade ofensiva que se via em campo.

E o que fez a diretoria? Tratou de contratar um treinador reconhecidamente adepto do ataque, Tiago Nunes. Contudo, esqueceu-se de que para fazer qualquer time jogar pra frente é preciso que o elenco à disposição tenha tais características. Resultado: o treinador que brilhou no Atlhetico/PR (olha a mudança no nome aí…) fracassou no Parque São Jorge. Claro que cometeu seus erros, mas não se poderia lhe exigir um time ofensivo sem que ele tivesse nomes para tanto.

Agora, o Corinthians e os corintianos se fazem uma pergunta capciosa: devemos voltar atrás e jogar na mais fechada retranca possível, porém com chances de bons resultados e talvez até títulos em um curto prazo ou, então, é melhor insistir na mudança do DNA, ser mais ofensivo e ter paciência para esperar por conquistas que virão, é certo, mas provavelmente só a longo prazo?

Eis a questão.

* Márcio Trevisan é jornalista esportivo há 31 anos. Começou no extinto jornal A Gazeta Esportiva, onde esteve por 12 anos. Passou, também, pelas assessorias de Imprensa da SE Palmeiras e do SAFESP, além de outros órgãos. Há 14 anos iniciou suas atividades como Apresentador, Mestre de Cerimônias e Celebrante, tendo mais de 450 eventos em seu currículo. Hoje, mantém os sites www.senhorpalmeiras.com.br e www.marciotrevisan.com.br. Contatos diretos com o colunista podem ser feitos pelo endereço eletrônico apresentador@marciotrevisan.com.br.

Total 3 Votes
0

Tell us how can we improve this post?

+ = Verify Human or Spambot ?

Nenhum comentário on "Corinthians: ser ou não ser? Eis a questão…"

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *