Construir soluções coletivas é o desafio para o desenvolvimento sustentável, apontam químicos

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Da Redação – As organizações precisam desenvolver projetos coletivos, em parceria com a cadeia de valor, o governo, a sociedade e demais setores produtivos, para construir soluções que tenham escala e velocidade.

Esta foi a mensagem do encontro “Práticas Sustentáveis no Polo do Grande ABC”, realizado nesta quarta-feira (12/09), na empresa Oxiteno, em Mauá. Organizado pelo Comitê de Fomento Industrial do Polo do Grande ABC (COFIP ABC), o seminário recebeu lideranças de organizações químicas, petroquímicas e entidades de classe para programação de palestras e apresentações de cases, com o objetivo de compartilhar as melhores práticas de gestão em sustentabilidade do Polo Petroquímico.

Claudemir Peres, presidente do COFIP ABC e gerente industrial da Oxiteno, abriu o encontro e disse que no meio industrial é possível trocar boas práticas, aprender e colher os resultados de maneira coletiva. Destacou o desafio do Comitê, que é promover o desenvolvimento sustentável do primeiro Polo Petroquímico instalado no Brasil. Em seguida, Fernando Figueiredo, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), falou que o desenvolvimento sustentável está no DNA da indústria química, cuja atuação é vetor de diversos avanços. “Nós somos a ciência que mais contribuiu para o desenvolvimento sustentável no planeta”, declarou.

Marina Mattar, diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade da Abiquim, deu início às discussões do encontro ao fazer uma abordagem sobre a sustentabilidade no setor privado, a partir das dimensões empresarial, territorial e global. Dentro de cada uma dessas dimensões, apontou critérios sociais, ambientais e econômicos, que são base da sustentabilidade. Marina defendeu que o desenvolvimento sustentável deve ser uma responsabilidade compartilhada. “Não se trata de uma obrigação exclusiva da indústria, do governo ou da sociedade, mas uma responsabilidade dos três atores, que precisam manter um diálogo transparente para trocar informações e encontrar soluções conjuntas”, apontou.

Indicadores – Yáskara Barrilli, coordenadora-executiva do programa Atuação Responsável da Abiquim, programa internacional desenvolvido no Brasil há 25 anos, destacou o compromisso da indústria química com a melhoria contínua dos indicadores de performance em saúde, segurança e meio ambiente.  Levantamento realizado pela associação entre 2006 e 2017 com as cerca de 120 empresas associadas apontou redução de 27% na geração de resíduos, 68% na ocorrência de acidentes durante o transporte rodoviário de produtos químicos e 16% no consumo de energia elétrica.

Pelo segundo ano, o COFIP ABC, agora com 13 empresas associadas, em 2017 eram 10, divulgou o levantamento dos seus indicadores, análogos aos apresentados pela Abiquim, mostrando as mesmas tendências da indústria química nacional. Todas as associadas participaram voluntariamente desse levantamento, que monitora o tripé de sustentabilidade – social, ambiental e econômico. “Os indicadores de performance representam a principal ferramenta para o desenvolvimento da indústria química, nos aspectos de segurança social, ambiental e econômica, especialmente nesse Polo Petroquímico, que está localizado dentro de duas cidades”, avaliou Francisco Ruiz, gerente-executivo do COFIP ABC.

Cases de sustentabilidade – O encontro contou, ainda, com apresentação de cases. Um deles foi da Oxiteno, representada por Lorena Brancaglião, gerente global de Desenvolvimento Sustentável, que falou sobre diversas práticas adotadas pela empresa, como a avaliação do ciclo de vida do produto, que permite direcionar a escolha de novas matérias-primas e processos de tecnologias, com foco na redução de impactos ambientais. Lorena também relatou case de sinergia entre empresas: a Cabot investiu na instalação de uma caldeira de recuperação de calor para utilizar os gases da chaminé da empresa, o que possibilitou à Oxiteno a desativação de parte das caldeiras de geração de vapor, com redução significativa da emissão dos gases de efeito estufa, al&eacut e;m de ter proporcionado à Cabot geração de energia elétrica para consumo próprio.

Depois Mario Leopoldo de Pino Neto, gerente de Sustentabilidade da Braskem, falou sobre as práticas da organização relacionadas a clima, água e energia, como a precificação de carbono para a tomada de decisão por projetos que reduzam os impactos ambientais. “Se um projeto gera mais emissões, eu atribuo um valor ao carbono e o projeto fica menos viável”, explicou. Pino Neto abordou desafios socioambientais no mundo e chamou atenção para a necessidade da construção de projetos coletivos. “A organização que não se relacionar com outros setores produtivos, governo e sociedade para buscar soluções em escalas diferenciadas talvez não esteja aqui nos próximos 50 anos”, comentou.

Práticas comerciais sustentáveis foram abordadas por Marcos Alberto da Silva Gallo, membro do Comitê de Sustentabilidade da Cabot Brasil, que falou sobre a aplicação de logística reversa em big bags, embalagens fornecidas para transporte de produtos. Há 10 anos a empresa já realiza o processo, mas iniciou há dois uma parceria com os clientes a partir da conscientização de que o manuseio adequado daria maior vida útil às embalagens, o que permitiu aumentar de 61% a 93% o índice de retorno no período. “Estamos sem comprar big bags desde maio do ano passado, sem alterar a qualidade de nossos serviços. Houve um intenso trabalho no relacionamento e na compreensão da dinâmica do processo interno dos clientes. O resultado só foi possível com a colaboração de toda a cadeia&rd quo;, afirmou. Marcos também ressaltou que a Cabot tem uso intensivo de água, mas é considerada uma fábrica seca, pois reaproveita todos os seus efluentes no processo industrial.

O evento “Práticas Sustentáveis no Polo do Grande ABC” contou com o patrocínio das empresas ERM, Reconditec e Suatrans, assim como o apoio da Oxiteno e da Abiquim.

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