Consórcio Intermunicipal deve retomar discussão do Carnaval Regional no ABC

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Quem tem frase de vidro, não joga crase na frase do vizinho…          Ferreira Gullar.

 

* Hildebrando Pafundi – Estava em dúvida sobre o tema para a abertura da coluna desta semana porque tenho vários assuntos importantes ao mesmo tempo para abordar, mas alguns que são datados acabam prevalecendo, pois se deixar passar acaba perdendo a validade. E como no Brasil para muita gente o novo ano só tem inicio depois do Carnaval, revolvi aproveitar uma proposta do prefeito de Santo André, Carlos Grana, apresentada durante os desfiles carnavalescos da cidade, na Avenida Firestone.

Presente nas duas noites de desfile das escolas de samba, o prefeito Grana explicou para a imprensa a decisão de sua administração em investir no Carnaval deste ano, quando outras prefeituras deixaram de patrocinar a festa popular, e prometeu sugerir ao Consórcio Intermunicipal Grande ABC para que nos próximos anos realize um desfile de Carnaval Regional, unificando as sete cidades.

Acredito que essa é uma forma de não deixar os desfiles carnavalescos de escolas de samba desaparecerem, pois este ano só dois municípios realizaram oficialmente esse tradicional evento: Santo André, que investiu R$ 795 mil, e São Bernardo do Campo, com R$ 400 mil em subvenções para as escolas de samba e na montagem da infra-estrutura do evento. No sábado, em Santo André, desfilaram seis escolas de samba do Grupo A e no domingo sete do Grupo B. O Carnaval foi realizado em parceria com a União das Escolas de Samba de Santo André (Uesma).

Como já eu disse em crônicas anteriores, conheço o Consórcio Intermunicipal desde a sua fundação, em 19 de Dezembro de 1990, quando teve inicio e também promovido pela entidade em parceria com as prefeituras, o Congresso de História do Grande ABC, realizado a cada dois anos, uma vez em cada cidade, de acordo com a ordem alfabética do nome: começou em Santo André, depois em São Bernardo Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. Encerrada e primeira etapa, teve inicio a segunda, com a mesma ordem. Em 2014 foi outra vez em Ribeirão Pires, e essa segunda fase será encerrada em 2017, pulando um ano por causa das eleições municipais, que se realizam em outubro deste ano, mas novamente em Rio Grande da Serra.

Como já disse, eu acompanhei todos esses congressos desde a preparação em reuniões do Grupo de Trabalho (GT), na sede do Consórcio e das prefeituras até a realização, primeiro como jornalista de diversas publicações, e depois como assessor de imprensa do Consórcio, entre 1996 e 2007, quando parei de trabalhar, pois já estava aposentado desde o ano 2000. E quando parei o trabalho de jornalismo, comecei a me dedicar à publicação de meus livros de contos e crônicas; cuidar dos lançamentos, vendas em feiras, bienais de livros, no Congresso de História, junto com outros escritores da Região, e em diversas outras localidades. Também comecei a escrever a coluna Esquina Descontraída na Internet, no jornal virtual www.cliqueabc.com.br a convite do jornalista Léo Júnior, onde passei a publicar informações desse evento do qual continuo participando, além de outros assuntos literários e culturais.

Voltando ao Carnaval, a imprensa regional publicou a idéia do prefeito Grana, lembrando que as ligas carnavalescas já haviam, em outras oportunidades, discutido a possibilidade de realização de um Carnaval Regional, reunindo as sete cidades para um único desfile. A minha sugestão é que seja realizado algo parecido com o Congresso de História, só que invés de ser promovido a cada dois anos, seja anual, uma vez em cada cidade.

Já antecipo que um evento não vai atrapalhar o outro, pois os Congressos de História do Grande ABC, geralmente ocorrem nos meses de Setembro, Outubro ou Novembro, e o Carnaval sempre ocorre nos meses de Fevereiro ou Março. O prefeito Grana em sua manifestação disse que vai apresentar a proposta de um Carnaval em conjunto aos demais prefeitos numa das reuniões mensais do Consórcio Intermunicipal, e já se colocou disposição, cedendo Santo André para receber as escolas das sete cidades, na Avenida Firestone ou em outro local.

Mas é claro que independente desse desfile regional, algumas tradições podem ser mantidas e continuar sendo realizadas em suas localidades, mesmo porque elas não fazem parte dos desfiles, como por exemplo, alguns desfiles de pequenos e tradicionais blocos de bairros ou do centro das cidades, que são realizados antes ou depois dos desfiles, ou bailes carnavalescos, destacando-se o do Clube União Lyra Serrano, em Paranapiacaba, que já completou 78 anos e faz parte das atrações turística da Vila Ferroviária.

Destaca-se ainda o Beco do Conforto, bloco que ressurgiu em 1914, desfilando pelas ruas centrais de Santo André, trinta anos depois do último desfile em 1980. O colunista Carlos Alberto Coquinho Bazani, colega deste escritor e jornalista do site www.cliqueabc.com.br titular da coluna “Do fundo do baú” foi um dos colaboradores para o ressurgimento do Beco junto com 15 instituições e outras pessoas.

Já em São Caetano do Sul, que também não realiza desfiles de escolas de samba, o destaque é para o evento carnavalesco que conta com música, gastronomia e diversão para todas as idades, reunindo muitas famílias locais e de outras cidades, a partir das 12 horas, no Espaço Verde Chico Mendes, no Bairro São José, onde também a partir das 16 horas tem inicio a matinê de Carnaval, que termina às 20 horas. Outras cidades realizam eventos semelhantes, que não vão atrapalhar o possível e futuro evento regional do Desfile das Escolas de Samba das sete cidades.

  • Exposição de Fotos feitas por deficientes visuais Foi inaugurada e tem período de visitação até 3 de abril a exposição Transver – Fotografias Feitas por Pessoas com Deficiência Visual, na Pinacoteca do Estado de São Paulo. São 10 participantes, alunos do Curso de Fotografia para Deficientes Visuais do Núcleo de Ação Educativa (NAE), que pertence à Pinacoteca. Todos foram alunos do Curso de Fotografia realizado de agosto a outubro, em três módulos de ensinamentos teóricos e práticos proferidos pelo professor João Kulcsár, coordenador do projeto de fotografia para deficientes visuais do SENAC – SP, em parceria com a equipe da Pinacoteca. Cada aluno tem um trabalho exposto e todos participaram no processo de escolha das fotos, que o visitante tem acesso juntamente com as pranchas táteis para entender o processo, áudio descrições e textos em Braile, com códigos QR, possibilitando assistir aos depoimentos gravados pelos participantes da exposição. Visitas de terça-feira a domingo das 10h às 18h, até dia 3 de abril de 2016. Os preços dos ingressos, que podem ser adquiridos no local, são R$ 3,00 e R$ 6,00, e aos sábados a entrada é gratuita. Endereço da Pinacoteca do Estado de São Paulo: Praça da Luz, 2, Jardim da Luz, Capital – SP.
  • Pinacoteca de São Bernardo comemora 35 anos Para comemorar 35 anos de existência e resistência, a Pinacoteca de São Bernardo do Campo, fundada em 26 de novembro de 1980, inaugurou duas exposições simultâneas, abertas a visitação até Fevereiro de 2016, organizadas e instaladas com a participação do artista e curador de Santo André, Saulo Di Tarso, além de outros, com os títulos: Somos todos filhos do carvão e Arte como trabalho. Visitas de terça-feira a sábado das 10h às 18 horas e quinta-feira das 10h às 21 horas até dia 20 de Fevereiro de 2016. Endereço: Rua Kara, 195, Jardim do Mar, São Bernardo do Campo – SP. Acesso ao acervo pelo site www.memoriaeacervo-oline.saobernardo.sp.gov.br Telefone (11) 4125-4056.
  • Exposição África Ativa A exposição África Ativa, em homenagem ao mês da Consciência Negra, foi inaugurada na Sabina Escola Parque do Conhecimento de Santo André e poderá se visitada até maio de 2016. A visitação está inclusa no ingresso de acesso à Sabina. A mostra está instalada no Espaço de Exposições Temporárias e é indicada para todas as idades, porque oferece, por meio de diferentes instalações lúdicas, como painéis fotográficos, panos largos e coloridos e objetos, a possibilidade de alunos e visitantes mergulharem na arte, cultura e memória de diferentes grupos populacionais do continente africano. Visitas até maio de 2016. Endereço da Sabina: Rua Juquiá, sem número, Bairro Paraíso, Santo André.
  • Retratos Antigos de Famílias A exposição Retratos Antigos de Famílias, que pode ser visitada até dia 30 de Março, no Museu Municipal de São Caetano do Sul, relembra a moda de tirar fotos entre o final do século XIX e inicio do XX, quando as famílias se vestiam socialmente e contratavam um fotógrafo profissional com hora e data marcadas para as poses, pois o serviço era caro e o retrato permanecia guardado por muitas gerações. De cinco mil fotos doadas por famílias da Região do ABC, 70 fazem parte dessa exposição. A foto mais antiga é de 28 de Julho de 1877 (aniversário da cidade), e retrata imigrantes italianos da província de Treviso, fundadores de São Caetano do Sul. Visitas: de segunda à sexta-feira, das 9h às 17h; sábados das 9h às 13h. Entrada grátis até dia 30 de Março. Endereço do Museu: Rua Maximiliano Lorenzini, 122, Bairro Fundação, São Caetano do Sul – SP. Telefone (11) 4229-1988.
  • Exposição de Artistas Afro-descendentes A exposição Território: Artistas Afro-descendentes, no Acervo da Pinacoteca do Estado, inaugurada em Dezembro de 2015 para comemorar os 110 anos de fundação, pode ser visitada até dia 17 de Abril de 2016. O primeiro diretor negro da Pinacoteca foi Emanoel Araujo, que permaneceu no cargo de 1993 a 2002. Durante sua gestão foi responsável pela revitalização do museu e também contribuiu, inclusive, com obras de muitos artistas afro-descendentes. Essa mostra conta com 106 obras, entre pinturas, gravuras, desenhos, esculturas e auto-retrato de Arthur Timotheo da Costa, doado em 1956. Entre outros estão também obras de Antonio Bandeira, Mestre Valentim, Rosana Paulino e Jaime Lauriano. As obras estão divididas em conjuntos e dispostas de acordo com a familiaridade dos temas com os territórios: Matrizes Ocidentais, Matrizes Africanas e Matrizes Contemporâneas. Visitas de terça-feira a domingo das 10 horas às 17,30 horas, com permanência até as 18 horas até dia 17 de Abril de 2016. Os ingressos custam R$ 6,00 (inteira) e R$ 3,00 (meia). Local: Quarto Andar da Estação Pinacoteca. Endereço: Largo General Osório, 66, Cidade de São Paulo, Capital.
  • São Caetano de Dentro: Uma Cidade Vivida e Imaginada A nova exposição promovida pela Fundação Pró-Memória de São Caetano do Sul, intitulada “São Caetano de Dentro: Uma Cidade Vivida e Imaginada”, unindo fotografia e literatura, mostrando o município por óticas diferentes. Inaugurada dia 13 de Fevereiro, a mostra pode ser visitada até dia 04 de Abril, no Espaço Verde Chico Mendes. A idéia foi do jornalista e também curador Nelson Albuquerque. Ao todo são 27 fotografias acompanhadas de poesia, crônica, conto, frase. A mostra conta ainda com jogo de palavras colocadas em ímãs, permitindo que desejando, o visitante também crie sua impressão sobre a cidade. Visitas: de terça-feira a sábado, das 8h às 17 horas, e aos domingos das 9h às 16 horas até dia 04 de Abril. Endereço do Espaço Verde Chico Mendes: Avenida Fernando Simonsen, 566, Bairro São José, São Caetano do Sul – SP. Telefone: (11) 4223-4780. Até a próxima!
pafundi * Hildebrando Pafundi é escritor, jornalista, contista e cronista. Membro da Academia de Letras da Grande São Paulo, da União Brasileira de Escritores (UBE-SP) e outras entidades. Tem quatro livros publicados. Contatos com o autor e colunista pelo e-mail hpafundi@ig.com.br
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