Conheça a história de Alex Firmino, jogador de futebol de amputados

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Atleta do time de futebol de amputados do São Paulo, Alex está na atual temporada do projeto Deficiente Residente, do Museu do Futebol

Da Redação – Um drible que o deixou estatelado no chão foi o momento mais decisivo na vida de Alex Firmino. “O cara me driblou e ainda fez o gol. Eu caí com tudo no chão. Daí pensei: se esse moleque consegue fazer isso, eu vou conseguir também”, conta.

Era a primeira partida de futebol que ele jogava depois de ter uma das pernas amputadas, resultado de uma infecção hospitalar que seguiu um acidente de moto. Da pouca familiaridade com as muletas, em poucos meses Alex se tornou jogador do time de amputados do São Paulo, foi convocado pela Seleção Brasileira e jogou uma Copa do Mundo no México. Agora, ele é também integrante da atual edição do projeto Deficiente Residente no Museu do Futebol.

Criado em 2010, o programa convida pessoas com deficiências diversas a trabalhar no Museu por período determinado, trazendo seu olhar único para o cotidiano da instituição. Da convivência com os demais funcionários, surge uma melhor compreensão coletiva sobre a diversidade e também sugestões práticas de mudanças no espaço físico e no atendimento para melhorar a experiência das pessoas com deficiência no Museu do Futebol, instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo. O programa já teve residentes com deficiência visual, intelectual, auditiva e física.

Além do primeiro amputado, Alex é também o primeiro atleta a participar do programa. Ele vem ao museu duas vezes por semana, intercalando a agenda com os treinos no São Paulo e idas à academia. Mas não foi sempre assim. Depois da amputação, Alex entrou em depressão e mal saía de casa. Até que a namorada resolveu pesquisar na internet, descobriu o futebol de amputados e clubes com times ativos no Estado de São Paulo. Numa rede de solidariedade, chegou até a Associação Bola pra Frente Esportes Adaptados, que toca o time de amputados do São Paulo.

“No mesmo dia, o dirigente foi na minha casa conversar. Eu não queria nem sair da cama, tinha vergonha de mim, de tudo. Mas ele insistiu e um sábado foi me buscar para jogar. Aí encontrei pessoas na mesma situação que eu, que me incentivaram muito, e então aprendi rápido. Em três meses, subi para o time principal da Associação. Mais um tempo, fui ao México com a Seleção Brasileira. Foi espetacular, nunca pensei que ia sentir aquilo algum dia”, lembra. Agora, ele treina para jogar a Copa Brasileira, em novembro, para então se qualificar novamente à Seleção.

No Museu do Futebol, Alex também dá apoio na orientação do público, fazendo a recepção dos visitantes e prestando informações gerais. Como parte do programa, a equipe vem experimentando o uso de muletas com orientação do Alex para entender as dificuldades de deslocamento e, assim, poder ajudar da melhor forma os visitantes com amputações. “Nós definimos alguns eixos para essa edição”, conta Ialê Cardoso, coordenadora do Educativo do Museu do Futebol. “Começamos trabalhando o pertencimento dele ao ambiente cultural e à equipe. Depois, ele começou a nos ajudar a avaliar melhorias na estrutura do Museu, como um consultor. Disso, no final da temporada teremos uma cartilha sobre as várias formas de jogar”, completou.

Alex conta que tem adorado a experiência. “Eu nunca tinha trabalhado assim antes, em equipe. E as pessoas aqui me acolheram da melhor forma”, concluiu. Nas poucas semanas desde iniciada a temporada, ele já contabiliza um momento emocionante do Museu. Um grupo escolar chegava para uma visita educativa quando correu a informação de que havia um jogador do São Paulo no local. “Quando vi, um menino vinha correndo para me abraçar, depois os outros correram todos também. Tirei um monte de fotos”, ri Alex, que fica no Deficiente Residente até novembro.

Sobre o Museu do Futebol

O Museu do Futebol está instalado em uma área de 6,9 mil metros quadrados sob as arquibancadas do Estádio do Pacaembu. É um espaço interativo, lúdico e multimídia, no qual a história do esporte mais popular do Brasil se confunde com a própria história do país.

O Museu do Futebol é uma iniciativa do Governo do Estado de São Paulo e da Prefeitura de São Paulo, com concepção e realização da Fundação Roberto Marinho. Pertence à rede de museus da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo e é gerido pelo IDBrasil, Organização Social de Cultura.

Serviço – Museu do Futebol, à Praça Charles Miller, s/nº São Paulo, SP, de terça a domingo, 9h às 17h (visitação até as 18h). R$ 15 | Meia entrada: R$ 7,50 | Entrada gratuita às terças-feiras

* Até 20/10, Clientes Itaú, incluindo um acompanhante, pagam meia-entrada. Basta apresentar o cartão na bilheteria. O desconto não é cumulativo com outros descontos ou benefícios e é sujeito a disponibilidade.

* Horários diferenciados de funcionamento em dias de jogos no Estádio do Pacaembu. Consulte o site museudofutebol.org.br.

* Estacionamento com Zona Azul (R$ 5 válido por 3h). Mais informações no site da Companhia de Engenharia de Tráfego – CET cetsp.com.br

* Hotsite da exposição temporária CONTRA-ATAQUE! As Mulheres do Futebol: contraataque.museudofutebol.org.br

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