Coluna Papo de Esporte: O ‘novo normal’ de Luxemburgo

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* Márcio Trevisan – Durante toda a década dos 90 e dos 2000, dois treinadores protagonizaram as disputas em nível estadual e nacional e, não obstante, também disputaram o título de melhor técnico do País: Telê Santana e Wanderley Luxemburgo. Se aquele se eternizou pelas conquistas sul-americanas e mundiais obtidas com o São Paulo, este se glorificou com os títulos que ganhou no Palmeiras, no Corinthians, no Santos e no Cruzeiro/MG.

Ambos tinham, aliás, uma característica em comum: suas equipes jogavam, sempre, ofensivamente. Com eles não tinha esta história de marcar um gol e recuar, de jogar pelo empate, de não arriscar. Os times comandados por estes dois caras podiam até perder uma ou outra partida, pois isso faz parte do futebol, mas jamais perdiam a essência do futebol: buscar o gol de forma incessante.

Mas o tempo passou, Telê não está mais neste plano e Luxa segue sua vida à beira dos gramados. No entanto, o que se vê hoje em dia é um técnico diferente daquele descrito nos parágrafos acima. O Luxa de hoje já não é mais tão fanático pelo ataque, não repete a frase que criou e que por muitos anos serviu para defini-lo, “O medo de perder tira a vontade de ganhar”, e muitas vezes, se o seu time terminou um jogo sem ser derrotado, esfrega as mãos e lambe os beiços.

Até entendo este novo Luxemburgo. Nos últimos tempos, o futebol mudou pra caramba. Os esquemas são sempre mais defensivos do que ofensivos, os adversários, quase sempre, jogam por uma bola – e teve time que até títulos ganhou atuando desta forma. Mas para quem conheceu aquele Wanderley (e até trabalhou sob o seu comando, caso específico deste colunista), é triste ver que este Wanderley mudou tanto.

Neste domingo, por exemplo, após a vitória do Verdão sobre o Bragantino por 2 a 1, ele desabafou durante os depoimentos que deu no pós-jogo. Disse jamais ter visto um exagero tão grande por parte da torcida palmeirense, que não aceita, de jeito nenhum, um futebol pobre e quase sem nenhuma criatividade que a equipe vem apresentando desde o começo do ano.

Para ele, a conquista dos títulos da Florida Cup (em dois jogos amistosos) e do Campeonato Paulista (nos pênaltis) deveriam servir para a galera alviverde lhe dar um crédito maior ou, pelo menos, pegar leve nas críticas que vem fazendo. E terminou com uma frase inimaginável ao Luxa dos velhos tempos: “Vencer é mais importante do que jogar bem”.

Com 400 partidas no comando do time (somadas, claro, todas as cinco passagens que teve pelo clube), Luxemburgo deveria saber que cada torcida tem as suas características, e que uma das que melhor definem a palmeirense é que não basta a equipe ganhar – é preciso que ganhe e mostre um futebol compatível com a mais do que centenária e vencedora história que possui.

É aquele tal negócio: tem torcedor que se contenta em levantar a taça, não importando como isso se tornou possível; mas tem torcedor que só admite levantar a taça se o futebol que a este gesto levou tiver sido de bom nível.

Não sei se Luxa manterá esta opinião enquanto for o treinador do Palmeiras ou mesmo nos futuros compromissos que assumir, mas seria muito bom se ele adotasse o “vale a pena ver de novo” e voltasse a ser o técnico daquelas equipes que encantaram o País nos anos 90 e 2000.

É que, para mim, este “novo normal” de Wanderley Luxemburgo, usando uma frase que ele também se cansou de dizer no passado, “prostitui sua característica natural”.

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1 comentário on "Coluna Papo de Esporte: O ‘novo normal’ de Luxemburgo"

  1. Léo Júnior

    Parabéns ao colunista Márcio Trevisan pelo trato de uma questão interna ao Palmeiras, que foi publicada na edição de ontem da coluna Papo de Esporte. Sei bem de seu profissionalismo, e não poderia esperar outro texto e/ou contexto. Parabéns e vida longa à essa parceria. ABS

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