Casal deixa vida em SP e leva pet para viajar de veleiro pelo mundo

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Da Redação – Muitos sonham em se tornar altos executivos, chefiar equipes, ter um ótimo salário e status social, mas nem todos fazem ideia de quanto trabalho, foco e dedicação são necessários para chegar tão longe. E nesse pacote inclui-se, ainda, a falta de tempo para se divertir e aproveitar a companhia da família e dos amigos enquanto se tem saúde e disposição. Em contrapartida, outro crescente grupo busca maior qualidade de vida e tenta desassociar o ser feliz do gastar excessivamente e acumular bens materiais.

E é nessa segunda categoria que se encaixa o casal paulista Beto Toledo, diretor geral de mídia de 35 anos, e Thaís Cañadó, coordenadora de estilo de 25 anos. Cansados deste círculo vicioso, onde é preciso trabalhar muito para poder gastar ainda mais, eles resolveram buscar uma vida simples, próxima à natureza e à essência humana de sobrevivência, e partirão para uma viagem pelo mundo em um veleiro na companhia de seu cachorro Google, da raça Golden Retriever.

Juntos há três anos, Beto e Thaís saíram novos da cidade de Sorocaba, no interior de São Paulo, para viver e trabalhar na capital paulista. Conforme foram construindo suas carreiras e crescendo nas renomadas empresas por onde passaram, se viram consumidos por uma intensa rotina profissional que os deixava com pouco tempo livre.

“Passamos a ter cada vez mais gastos para manter uma vida repleta de confortos superficiais, o que, consequentemente, nos obrigava a trabalhar ainda mais. Com isso vieram estresse, má alimentação e pouco sono. Percebemos que não havia mais sentido em continuar vendo a vida passar só pela janela do escritório ou de dentro do carro preso no engarrafamento e que mais cedo ou mais tarde perderíamos também a saúde”, conta Beto.

A ideia de morar em um veleiro e viajar pelo mundo surgiu no final de 2015, inspirados pelas histórias de outros jovens casais que têm se aventurado através dos continentes e oceanos em barcos, Kombis, trailers e bicicletas, se hospedando em hostels. “Nós queríamos uma casa móvel, com quintal infinito. O Beto desde pequeno adora tecnologia e também consertar coisas, então ele logo de cara se encantou pelo veleiro, que precisa de reparos diários e é muito tecnológico. E como eu sou apaixonada por praia e o Google ama nadar, foi perfeito para nós três”, comenta Thais.

O planejamento da viagem começou em 2016, com a compra do barco, seguida pela realização de algumas reformas e cursos de vela e vários finais de semana a bordo. Em janeiro de 2017, eles tornaram público o projeto e pediram demissão das empresas em que trabalham a tempo de fazer a transição de suas funções antes do embarque.

Para custear a viagem – estimada em R$ 4 mil mensais -, Beto e Thaís venderam bens como carro, apartamento, móveis e roupas, cortaram gastos desnecessários e investiram todo o valor em uma aplicação de renda fixa cuja rentabilidade irá mantê-los. “Como continuamos com as mesmas remunerações e mudamos nosso estilo de vida, passando a, por exemplo, fazer mais refeições em casa e consumir menos alimentos industrializados, nós economizamos bastante. Se tudo correr como o planejado, voltaremos com um patrimônio financeiro maior do que estamos indo”, diz Thaís.

A partida será do Guarujá, no litoral sul paulista, e, diferentemente de outras travessias conhecidas, como as da Família Schurmann, ela terá mais tempo em terra firme. As primeiras paradas do roteiro serão em Ilhabela, Ubatuba, Paraty, Angra dos Reis e Rio de Janeiro, margeando a costa rumo ao norte até chegar a Fernando de Noronha e, depois, ao Caribe. Em seguida velejarão para a Austrália, via canal do Panamá, e subirão para a Europa pelo canal de Suez. Por fim, cruzarão o Atlântico de volta ao Brasil.

O objetivo da viagem é conhecer o máximo de lugares gastando o mínimo possível, já que terão local garantido para preparar as refeições, tomar banho e dormir. “Partiremos sem data para voltar. Não pretendemos trabalhar nesse período, já que os rendimentos de nossa aplicação devem ser suficientes para cobrir as despesas, mas seguiremos com todas as possibilidades em aberto e não teremos problema em mudar de planos, caso seja necessário. Tanto podemos parar em algum lugar e nunca mais querer voltar quanto decidir acelerar a viagem e retornar”, explica Beto.

O casal irá registrar em vídeos o dia a dia da vida a bordo, as experiências do seu cachorro Google e os lugares que visitarem, sempre na perspectiva de quem chega à praia pelo mar, e não pela terra. Eles serão publicados semanalmente em seu canal Sailing Around The World, no YouTube (www.youtube.com/c/SailingAroundtheWorld).

Estrutura do veleiro – O barco, que será a residência itinerante do trio, tem cerca de 60 m² de área privativa. É forte e resistente contra os ventos e o mar, seguro e com toda a comodidade. Batizado de Shogun, o veleiro Peterson de 33 pés tem dois andares e é praticamente autossustentável. Em sua parte inferior há uma suíte com cama de casal, closet, banheiro, chuveiro, armários e uma grande mesa de navegação. A sala é integrada com a cozinha, que tem pia, torneiras de água doce e salgada, fogão com forno e geladeira, e tanto a mesa quanto um dos sofás podem virar outras camas de casal. Na parte de cima ficam a cabine de comando e uma ampla área de lazer para tomar sol e fazer exercícios.

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