Brasil perde da Espanha e dá adeus ao Mundial Masculino de Handebol

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Da Redação – O Brasil se despediu do Mundial Masculino de Handebol da França, neste sábado (21). Porém, mesmo com o resultado adverso diante da experiente Espanha, a equipe deixou a quadra de Montpellier, mais uma vez de cabeça erguida. Chegou às oitavas de final pela terceira vez consecutiva e, nas três ocasiões, foi superada por apenas um gol para adversários tradicionais da modalidade, mostrando novamente a clara evolução. O placar de 28 a 27 (16 a 18 no primeiro tempo) em favor dos espanhóis não refletiu a totalidade da partida em si, pois o Brasil fez uma de suas melhores apresentações, não só neste campeonato, como também ao longo da história.

Em quadra com a Seleção mais jovem do campeonato, após a substituição de Thiagus Petrus, lesionado, por Leonardo Dutra, o Brasil mostrou que ainda tem muito mais a mostrar e a conquistar. A equipe que já havia feito excelentes partidas nos Jogos Olímpicos do Rio, quando atingiu as quartas de final, sofreu altos e baixos durante a primeira fase do Mundial, mas no momento mais decisivo, soube manobrar o confronto e deu muito trabalho à Espanha, de Jordi Ribera, técnico que comandou o Brasil até o mês de agosto.

Com uma defesa sólida e muita calma no ataque, os brasileiros fizeram um excelente primeiro tempo, tanto é que terminaram com a vantagem de dois gols. Os adversários, como era o esperado, conheciam bem o time brasileiro e buscaram todo o tempo neutralizar o ataque pelo meio, que funcionou em outros jogos. Mesmo assim, a Seleção Nacional encontrou espaço, muitas vezes onde não havia, e se manteve na liderança. Além disso, César ‘Bombom’ que assumiu o gol desde o início teve uma atuação impecável ao defender 14 bolas. Maik Santos, que entrou nas cobranças de sete metros, também parou a bola adversária em dois chutes.

O segundo tempo manteve o mesmo padrão de qualidade com a disputa gol a gol. As duas equipes se alternaram na liderança diversas vezes. Porém, quase no final, quando faltavam cinco minutos para o término da partida, a Espanha conseguiu passar. Uma exclusão de José Guilherme já no finalzinho complicou mais as coisas para o Brasil, precisando buscar a reversão do placar novamente. Os adversários conseguiram se aproveitar da vantagem numérica e do marcador e mantiveram a liderança até o fim.

Foi uma derrota muito sofrida para o Brasil, por ter plena consciência da qualidade da partida que fez hoje e por saber que poderia avançar pela primeira vez às quartas de final, porém, a própria equipe lembra que tem um caminho brilhante a percorrer pela frente. “Esta é a terceira vez consecutiva que chegamos às oitavas de final e essa foi diferente porque depois do fim de um ciclo olímpico o desgaste é muito grande. Mas, mostramos que somos capazes. Ficamos com o lado bom, que não abaixamos a cabeça em nenhum momento contra a forte Seleção da Espanha. Um gol de diferença não é nada. Somos a equipe mais jovem da competição. Espero que essa sementinha esteja sendo plantada e que eu, como um dos mais experientes, com 28 anos só, possa continuar trabalhando e na próxima seguir para as quartas. Esse é o nosso desejo e de todos os apaixonados por handebol no Brasil”, analisou o goleiro Bombom.

O técnico Washington Nunes lembrou de alguns problemas na composição da equipe durante o Mundial, com a saída do armador e capitão Thiagus Petrus, peça fundamental na defesa e no comando da equipe dentro de quadra, mas exaltou a volta por cima dada pelo grupo, principalmente com o jogo de hoje. “A saída do Thiagus atrapalhou o processo. Tivemos que nos recompor. Na partida contra a Noruega foi bem difícil sem ele, com a Rússia melhoramos. Hoje encaixou, jogamos bem”, pontuou.

Ele comenta sobre o fato de ter enfrentado justamente a Seleção comandada pelo amigo e ex-treinador do Brasil, Jordi Ribera. “Acho que todos os sentimentos foram muito legais. O Jordi deve estar feliz porque ganhou e porque jogamos muito bem. Estamos felizes porque conseguimos jogar bem e mostrar que somos capazes. A nossa evolução está marcada. Esse é um processo. Temos um caminho longo pela frente, mas novamente perdemos nas oitavas de final. Mesmo assim, estamos orgulhosos do que fizemos”, afirmou Washington.

Mesmo triste pelo resultado, o central Henrique Teixeira, também destaca o caminho que o Brasil tem trilhado no handebol masculino. “Jogamos no limite. Sabíamos que só íamos tirar alguma coisa do jogo se jogássemos no limite. É a terceira vez que o Brasil sai nas oitavas pela diferença de um gol. Mas, acredito que só vai pras quartas quem joga as oitavas, então, acreditamos que uma hora vai dar. O jogo foi bom. Nossa equipe está de parabéns. É uma Seleção jovem e tenho certeza que vamos colher muitos frutos ainda.”

Classificado em primeiro lugar do grupo B, o técnico da Espanha Jordi Ribera, já estava preparado para enfrentar a equipe do Brasil, a qual estava à frente em duas ocasiões, de 2006 a 2008 e de 2012 a meados de 2016. “Os sentimentos são muitos. Os atletas que estão aqui trabalharam comigo desde os acampamentos. Estou feliz pela vitória, mas também compartilho a derrota deles. O Brasil fez um grande jogo hoje. Qualquer um dos dois poderia ter vencido. Os atletas, pela idade que têm, se comportaram de forma impressionante. Souberam encontrar em cada momento opções perfeitas de gol. Somente no segundo tempo, quando nosso goleiro parou algumas bolas, tivemos opções mais de contra-ataque e pudemos ganhar”, disse.

Jordi parabeniza o trabalho de toda a equipe e confessa que ficou muito triste pela eliminação dos brasileiros do campeonato. “Eu estive do lado do Brasil duas vezes nas oitavas de final, perdendo de um. Talvez hoje, seja afortunado por estar do outro lado, no entanto, estou triste, uma parte de mim foi eliminada. Mas, isso é do esporte. Já disse depois dos Jogos Olímpicos que o Brasil tem um futuro maravilhoso com esses atletas. Tivemos que preparar muito bem o jogo para enfrentá-lo. Eles têm um bom líder e alguns jogadores têm um caminho para melhorar. Espero que no próximo possam dar um passo à frente”, encerrou.

Gols do Brasil – João Pedro (7), Chiuffa (5), Haniel (5), Tchê (4), José Guilherme (3), Cleryston (2) e Bombom (1). Gols da Espanha – Dujshebaev (5), Canellas (5), Ribera (4), Aguinagalde (4), Balaguer (4), Fernandez (3), Sarmiento (2) e Entrerrios (1).

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