Atenção a prematuros garante marca histórica em São Bernardo

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Da Redação – Dados do Comitê Municipal de Vigilância de Mortalidade Materna, Fetal e Infantil de São Bernardo mostram que a atenção de qualidade prestada aos bebês prematuros no Hospital Municipal Universitário (HMU) é um dos principais fatores que levaram, nos últimos anos, à queda na taxa de mortalidade infantil do município. Em 2015, a cidade registrou o menor índice de sua história, com 8,5 óbitos para cada mil nascidos vivos.

O comitê realiza o estudo de todos os óbitos de crianças menores de 1 ano moradoras da cidade, sejam nascidas e/ou hospitalizadas na rede pública ou estabelecimentos privados, dentro e fora de São Bernardo. A investigação inclui análise do prontuário médico, levantamento completo e detalhado de todo o atendimento prestado durante o pré-parto, parto e puerpério, além de visita domiciliar para detectar aspectos de vulnerabilidade social e ambiental. A apuração não tem caráter punitivo, mas serve para identificar se houve algum tipo de falha no acesso aos serviços de saúde ou na assistência prestada, o que norteia o planejamento de futuras ações.

Os dados são discutidos em encontros mensais por um grupo técnico de especialistas da Secretaria Municipal de Saúde, e enviados a todos os envolvidos no processo de cuidado, como as Unidades Básicas de Saúde (UBSs), serviços de atenção especializada e hospitais. A cada semestre, esse grupo se reúne com todos os integrantes do comitê, composto ainda por representantes da sociedade civil organizada, hospitais particulares, entidades de classe e conselho tutelar.

As estatísticas mostram que garantir o pré-natal de qualidade, com plena adesão da mulher às consultas, exames e orientações, tem evitado a morte de recém-nascidos em decorrência das complicações geradas pela prematuridade. Assim como o cuidado de excelência ofertado pelo HMU aos que nascem antes da 37ª semana de gestação. Em 2010, a cidade registrou total de 148 de óbitos de crianças menores de 1 ano; desses, 83 se referem a bebês com mais de sete dias de vida. Em 2015, dos 95 óbitos totais, 51 estavam nessa faixa etária.

“A atenção hospitalar e ambulatorial especializada ao recém-nascido tem grande impacto neste segmento, porque os prematuros precisam de semanas e até meses para vencer as dificuldades iniciais. Os bebês que não chegam ao sétimo dia de vida são, em sua maioria, os que nascem com doenças congênitas e malformações”, avalia a presidente do comitê, a pediatra Solange Goneli Wichert.

Nesse sentido, o HMU se consolida como referência regional em cuidado de prematuros, em uma abordagem que combina atenção humanizada, tecnologia de ponta e educação permanente dos trabalhadores. O hospital ampliou sua capacidade de atendimento nos últimos dois anos e o número de leitos em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal saltou de 12 para 20, além dos 24 leitos em Unidade de Cuidados Intermediários (UCI).

“Seguimos protocolos bastante rígidos para dar a esse recém-nascido a chance de se desenvolver fora do ventre materno. E também estimulamos ao máximo a vinculação entre a mãe, bebê e o restante da família, para que o recém-nascido tenha o acompanhamento de que precisa quando receber alta”, enumera a coordenadora médica da Neonatologia do HMU Cibele Wolf Lebrão.

Bebês que nascem com 1,5 kg ou menos recebem série de cuidados específicos nas primeiras 24 horas de vida. As intervenções seguem o princípio da manipulação mínima para evitar o estresse e a dor e, consequentemente, preservar seu pequeno estoque de energia, vital para que possa enfrentar sua maior dificuldade, a respiratória. O recém-nascido é colocado em incubadora especial, umidificada, para evitar a perda de peso e o ressecamento da pele – até o tipo de curativo e o respirador são especiais para diminuir as chances de lesões.

A nutrição precoce é outro ponto importante: nas primeiras seis horas, o prematuro recebe, em gotas, o colostro da mãe, rico em anticorpos. Em seguida, é a vez de um soro especial com gordura e proteína, e também do leite materno. À medida que o recém-nascido se estabiliza, outras práticas são adotadas com a participação ativa da mãe, como o Método Canguru – contato pele a pele intensivo -, os banhos de imersão e a musicoterapia, técnicas que acalmam o bebê e incentivam o aleitamento materno.

“Eu e meu filho passamos por todas essas etapas. Foi um longo período, de altos e baixos intensos. Devo muito a toda equipe da UTI Neonatal, porque durante meses eles foram a minha família e me deram suporte para seguir ao lado dele, acreditando na reabilitação”, conta a dona de casa Fernanda Cristina dos Santos, 33. Em agosto de 2012, seu filho, Theo, nasceu com pouco mais de 1 kg, no sexto mês de gestação. Foi entubado, teve série de paradas cardíacas e chegou a pesar 750 gramas. Fernanda só pode tê-lo nos braços pela primeira vez depois de 90 dias.

Durante os sete meses em que permaneceu internado, Theo, que tem malformação congênita no lobo temporal direito, passou por quatro cirurgias. Depois da alta, continuou sendo atendido pela rede municipal, tanto em consultas com especialistas quanto na reabilitação com fonoaudióloga e fisioterapeuta. “Hoje meu filho frequenta escola, é tagarela, muito esperto, não para quieto um minuto, como toda criança. Tenho certeza de que isso tudo é possível porque ele foi muito bem cuidado no HMU, e nos anos seguintes. Nunca faltou nada no SUS para ele. Estou muito satisfeita”, conclui.

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