Após 45 anos, aposentado “reencontra” violão em oficina da Prefeitura

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Da Redação – “Como é bom poder tocar um instrumento.” A frase do cancioneiro baiano resume o sentimento de alegria do aposentado Fernando dos Santos Matias, que voltou a dedilhar seu violão após 45 anos – hoje está com 65. Há duas semanas ele iniciou as aulas na oficina oferecida pelo Centro de Referência do Idoso (CRI) para resgatar, segundo ele próprio, o que aprendeu a partir dos 15 e levou adiante até os 20 anos.

“Estou partindo do zero. Com as obrigações do dia a dia e a vida em família não deu mais para tocar. Estou desaposentando o violão (nas aulas ele usa o mesmo instrumento que ganhou do pai na infância, um Giannini). Decidi me inscrever porque o que a gente faz para ocupar a mente é bom para a saúde. A gente é feliz quando faz o que gosta. É assim que estou me sentindo nesse reencontro com as aulas de violão.”

O aposentado vê nas oficinas não apenas a oportunidade de retomar a antiga paixão de infância, mas também a possibilidade de integração e convívio social, objetivo principal das oficinas do CRI, ligadas à Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania (Sedesc).

De acordo com Matias, a música entrou em sua vida antes mesmo de soltar as primeiras notas no violão. “Meu tio tocava acordeão. Quando eu tinha 13 anos, ele me deu um de presente, de 24 baixos. Ele me ensinou e eu toquei até os 15. Mas deixei de lado e passei para o violão.”

Além das aulas de violão, o aposentado também faz oficina de informática e canto, às quintas-feiras, juntamente com a esposa, Dalva Matias. Ela, por sua vez, frequenta as aulas de piano, às terças-feiras, no período da manhã. O casal mora no Rudge Ramos.

A também aposentada Maria Vitória, 60 anos, do Jardim do Mar, frequenta as aulas de violão. No caso dela, a oficina representa a realização de um sonho da adolescência. “Queria muito aprender, mas quase perdi a inscrição (realizada em fevereiro), porque vim em cima da hora. Peguei as últimas vagas.”

Divorciada e mãe de dois filhos, Maria Vitória chegou ao CRI indicada por amigas que já frequentam o espaço há mais tempo. Ela garante que se “reencontrou” com a vida. “O ambiente aqui é agradável, amplo, tem lanchonete e os bailes (da terceira idade, que acontecem nas tardes de sexta e domingo). Esse começo já me deu prazer em vir, porque a gente vê que há de fato a convivência, a interação entre pessoas da mesma idade. Antes tinha vergonha, achava que era coisa de velho. Mas depois me perguntei. Vou conviver com quem, com os jovens?”.

Além de violão, Maria Vitória faz aulas de Espanhol e Informática. “Se der, no segundo semestre vou pegar aulas de inglês.” Ao todo, o CRI oferece 18 oficinas. No momento não há vagas. As inscrições são abertas somente no início de cada ano. Caso haja desistências, novas inscrições serão abertas a partir do dia 4 de julho.

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