A “porquice” de Deyverson

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  • Márcio Trevisan

Mais de 90% dos jogadores de futebol profissionais brasileiros vêm das mais baixas classes sociais. Oriundos, muitas vezes, de famílias desestruturadas, não raro demoram muito tempo até entenderem o que significam para os torcedores dos clubes em que atuam, sobretudo quando estes clubes são os mais importantes do País. Com isso, protagonizam lances em que trazem à tona toda a falta de educação da qual foram vítimas.

No entanto, o centroavante Deyverson, do Palmeiras, meio que foge à regra. Nasceu pobre, é verdade, na periferia do Rio de Janeiro/RJ, mas nunca deixou de receber dos pais toda a orientação necessária para ser uma pessoa de bem. Quando de sua apresentação na Academia de Futebol, emocionou todos quando vestiu a camisa verde e branca e chorou de emoção, gesto no qual foi acompanhado pelo pai. Ali, acreditava-se que muito mais do que um jogador de futebol, estava um homem de caráter.

O problema é que homens de caráter não cospem na cara de outros homens. Mesmo que provocado, ainda que vítima da violência adversária, jamais um ser humano pode se dar o direito de tão nojento gesto. Cuspir na face alheia é infinitamente pior do que esmurrá-la, pois atinge não somente o corpo – fere a alma.

Sei que o “Menino Maluquinho” é adorado pelos companheiros justamente porque é um excelente companheiro de trabalho e um atleta que sempre busca ajudar os demais integrantes do elenco, cativando a todos com sua extrema humildade e seu constante bom humor. Só que isso não lhe dá o direito de agir como agiu.

A “porquice” que Deyverson fez com o corintiano Richard nos minutos finais do clássico do derby na Arena Palestra Itália é digno de uma repulsa ainda maior do que seu gesto, é algo que precisa ser punido de forma exemplar tanto pelo TJD-SP quanto pelo Palmeiras.

O órgão, se realmente quiser fazer justiça, deve lhe aplicar a pena máxima, no caso 12 jogos de suspensão; o clube, se realmente quiser respeitar sua história, deve simplesmente rescindir seu contrato.

Afinal, o Palmeiras pode até ser Porco, mas jamais foi um time de porcos…

Curtinhas

Chorão – O goleiro Henao, do São Bento de Sorocaba/SP, chorou copiosamente após tentar dominar a bola com os pés e acabar sofrendo um gol na partida contra o São Caetano, no meio da semana passada. Neste domingo, depois de ver sua equipe perder para o São Paulo por 1 a 0, ele de novo saiu chorando de campo, porém de alegria: apesar da derrota, foi o grande nome da partida, com direito a várias e difíceis intervenções e até à defesa de um pênalti.

Repeteco – Palmeiras e Corinthians jogam na Arena Palestra Itália. O Verdão tem um time muito melhor, vive fase muito mais positiva e atua diante de sua apaixonada torcida. Contudo, o Timão faz 1 a 0 logo no começo do clássico, passa a atuar inteiro atrás da linha da bola, leva um sufoco danado mas, no fim, vence o derby. Este texto poderia se referir à finalíssima do Paulistão de 2018, mas retrata o que aconteceu no último sábado. Nem é preciso dizer que o Corinthians começa a reaprender o jeito Carille de jogar…

Pesadelo sem fim – A Portuguesa Desp. parece aquele sonho ruim do qual a gente não consegue acordar. Não bastasse estar fora de todas as divisões do Campeonato Brasileiro, agora ainda corre risco de ser rebaixada à Série A-3 (ou seja, à Terceira Divisão do Campeonato Paulista). Em cinco rodadas, a Lusa empatou quatro partidas e perdeu um jogo, o que a coloca neste momento em 13º lugar na classificação geral – ou a apenas duas posições de mais uma queda. Ainda faltam 10 jogos, é verdade, mas em se tratando do time do Canindé todo o cuidado é sempre pouco.

Fogo de fora – As semifinais da Taça Guanabara, o primeiro turno do Campeonato Carioca, estão definidas: Vasco da Gama x Resende farão uma das partidas, enquanto a outra vaga à grande final será decidida entre Flamengo e Fluminense. O outro grande do estado, o Botafogo, cumpriu uma campanha pífia, terminou em antepenúltimo lugar em sua chave e, neste momento, corre até mesmo o risco do rebaixamento.

* Márcio Trevisan é jornalista esportivo há 30 anos. Começou no extinto jornal A Gazeta Esportiva, onde esteve por 12 anos. Passou, também, pelas assessorias de Imprensa da SE Palmeiras e do SAFESP, além de outros órgãos. Há 12 anos iniciou suas atividades como Apresentador, Mestre de Cerimônias e Celebrante, tendo mais de 400 eventos em seu currículo. Hoje, mantém os sites www.senhorpalmeiras.com.br e www.marciotrevisan.com.br. Contato com o colunista pelo e-mail apresentador@marciotrevisan.com.br

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