A olaria do espião alemão em Santo André

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olaria* Carlos Alberto Coquinho Bazani – Até um pouco mais da metade do século XX, funcionava uma olaria instalada no quarteirão da Avenida Santos Dumont, em frente ao Mercado Municipal de Santo André), entre as ruas Uruguaiana, Manoel Vaz e Siqueira Alves.

Na olaria, destaque para a casa sede da administração, com um potente equipamento de rádio amador, cuja antena foi instalada no topo da chaminé de alvenaria, ao lado de um grande e profundo lago.

Segundo os antigos moradores, o escritório da olaria servia centro de informações do Serviço Secreto Nazista (SS). As dependências da olaria eram utilizadas pela vizinhança como área de lazer, sem a devida autorização do proprietário. Os moradores entravam na olaria pelos buracos feitos nas cercas de arame farpado. As principais diversões eram a natação pescaria, e roubo de frutas de diversas espécies nas árvores lá plantadas.

O alemão espantava os invasores de sua propriedade, com os seus inúmeros cães de guarda e sua inseparável, temida e certeira espingarda de sal. Afinal de contas, o alemão não queria nenhum intruso naquela área, bisbilhotando suas atividades secretas.

O sócio mais novo da olaria retornou à Alemanha para servir às tropas de Hitler e foi morto em combate pelos aliados. O outro sócio, Carlos Otto William Klauser, foi descoberto e preso pela Polícia Federal brasileira. Após a sua prisão, o espião nunca mais visto seu paradeiro incerto e não sabido. O adolescente Nelson Cerchiari presenciou e testemunhou este fato histórico.

Atualmente, neste local, estão instalados o Corpo de Bombeiros, a escola do Senai e um prédio residencial de classe média alta.

Coisas da nossa “Pavlistarvm Terra Mater”

12182080_1737990406435640_1159220129_n* Carlos Alberto Coquinho Bazani é natural de Santo André. Atuou como assessor parlamentar e político. É membro do Conselho de Cultura de Santo André e colaborador dos veículos Jornal Informação Resumo Jovem, Gazeta do Grande ABC, Orion FM e Cocknews, além de coordenador do Bloco O Beco do Conforto. Contato com o colunista: coquinhobazani@hotmail.com.

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7 Comentários on "A olaria do espião alemão em Santo André"

  1. Ademir

    Nasci e cresci na Vila Alzira e me recordo do local. Saudades daquela época. Porém, não tinha conhecimento da utilização das instalações para fins de espionagem.

    • CliqueABC

      Eu não sou do Grande ABC, mas conheci muita gente das antigas, moradores, escritores, jornalistas, historiadores e gente do povo. E assim como eu e você, Ademir, ninguém sabia. Talvez por isso a SS nazista era a mais temida polícia secreta. Parabéns para o Coquinho, que também é Cultura e desenterrou essa pérola da região. Pena que para aparecer na literatura oficial precisaria de mais dados oficiais. Pelo visto, os alemães, com a exceção da lembrança da olaria, não deixaram rastros…

  2. J Vagner Panighel

    Parabens Coquinho.
    Morava na Rua Natal e fomos conhecidos de infância. Desconhecia esses fatos. Obrigado pela recordação.

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