À moda Picerni

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* Márcio Trevisan – Todos certamente se lembram de Jair Picerni, técnico que assumiu a responsabilidade de comandar o Palmeiras na Série B de 2003. Trabalhei sob o comando deste treinador naquela época e agora compartilho com vocês uma de suas características: a menos que algum jogador se contundisse ou então fosse expulso, ele jamais promovia uma alteração antes dos 15 minutos da etapa final, mesmo que o resultado fosse adverso à sua equipe.

Segundo ele, era uma questão de coerência. Se havia escolhido os 11 titulares, era porque em sua opinião estes eram os melhores e, por isso, mereciam todas as chances possíveis para que apresentassem um bom futebol. Eu nunca concordei com esta filosofia de trabalho, mas de qualquer forma foi assim que ele não só recolocou o Verdão na elite do futebol brasileiro mas, principalmente, encantou o País pouco antes, quando dirigiu o São Caetano/SP vice-campeão nacional e da Copa Libertadores da América.

Lembrei-me deste detalhe ao acompanhar o clássico da tarde deste domingo, entre o Palmeiras e Santos. O atual treinador palmeirense, Róger Machado, que indiscutivelmente começa muito bem o seu trabalho, tende a agir como Picerni – a única diferença é que a demora para mexer no time é ainda maior quando o resultado lhe é positivo.

Quando logo no começo do segundo tempo o Verdão abriu 2 a 0, ele se acomodou ainda mais do que normalmente o faz. E pior: mesmo após o Peixe diminuir o placar (em um lance irregular, já que a bola saíra por completo pela linha de fundo), demorou mais 13 minutos para, só então, colocar Keno e um pouco de velocidade em campo. Foi preciso que quase 38 mil palmeirenses gritassem o nome do atacante para que o técnico, enfim, “acordasse”.

De qualquer forma, é claro que se ganhou o clássico com méritos é porque o alviverde apresentou mais pontos positivos do que negativos. Ainda que se leve em conta a fragilidade santista, sobretudo do seu meio-campo e do seu ataque, o sistema defensivo da equipe se comportou, mais uma vez, muito bem – com destaque especial para Jaílson e Antônio Carlos.

Neste domingo, aliás, a saída de bola esteve muito melhor do que em partidas anteriores, graças sobretudo à ótima atuação de Tchê Tchê que, desta forma, compensou a atuação apenas regular de Lucas Lima.

Outro ponto a ser destacado é o ataque palmeirense. Nenhum dos quatro jogadores que dele fizeram parte teve uma tarde brilhante, mas o que mais vem chamando a atenção é a efetiva participação de todos não só ofensivamente, mas também na marcação à entrada da área e até na recomposição.

Nestes quesitos, destaque a Borja, que de novo se entregou ao máximo em campo e, pelo menos desta vez, conseguiu marcar um gol com méritos – ou seja, em um lance no qual mostrou sua qualidade como finalizador.

Pelo lado do Santos, duas certezas: a primeira é que o retorno de Gabigol será fundamental para dar ao jovem e ótimo técnico Jair Ventura melhores opções ofensivas, já que ao lado da revelação santista é de se esperar que nomes como Bruno Henrique, Eduardo Sasha e até mesmo o menino Rodrygo passem a render mais.

Já a segunda é que só Gabigol não será suficiente para garantir à equipe da Vila Belmiro um ano de conquistas. Há de se contratar – e com a maior rapidez possível.

 

CURTINHAS

Sem surpresa – No sábado, após o pleito que elegeu Andrés Sanchez como o novo presidente do Corinthians, uma grande confusão aconteceu no clube. Após ser declarado vencedor, centenas de torcedores invadiram o ginásio do Parque São Jorge e, inconformados, tentaram agredi-lo. O deputado federal pelo PT foi atingido com um copo de cerveja, teve de se isolar no banheiro e precisou sair escondido no chão de um automóvel para não apanhar. Ao que parece, não é à toa que a Fiel torcida se define, sem esconder o orgulho, como “um bando de loucos” e também como “maloqueira e sofredora, graças a Deus!”.

Goela abaixo – Dorival Júnior já deve ter percebido que não desfruta de muito prestígio perante a diretoria do São Paulo. Uma boa prova disso foi ter sido obrigado a relacionar o peruano Cueva para a partida de sábado, 03.02, no Morumbi, diante do Botafogo de Ribeirão Preto/SP. Inicialmente fora dos planos do treinador após dois atos consecutivos de indisciplina – apresentou-se cum uma semana de atraso no início do ano e se recusou a ficar no banco em uma partida –, o peruano começou na reserva, mas entrou no segundo tempo e ainda cobrou o penal que garantiu a vitória são-paulina por 2 a 0.

À procura da felicidade. Mas nem tanto. – O Corinthians segue com a segunda melhor campanha do Campeonato Paulista (venceu quatro dos cinco jogos que disputou) e, neste domingo, ganhou mais uma vez de forma apertadinha: 1 a 0 sobre o Novorizontino, fora de casa. Mesmo com este ótimo retrospecto – afinal, a equipe conta com 80% de aproveitamento – a diretoria segue em busca de um substituto para Jô, negociado ao fim do ano passado. Mas, segundo o novo diretor de futebol corintiano, Duílio Monteiro Alves, nenhuma “loucura” será feita, já que não há nomes disponíveis no mercado que se encaixem dentro das condições financeiras do atual campeão brasileiro.

Pesadelo infinito – A péssima fase por que passa a Portuguesa de Desportos parece mesmo não ter fim. Após cinco rodadas (ou 1/3) da Primeira Fase do Campeonato Paulista da Série A-2, a Lusa perdeu três jogos, conta somente quatro pontos e está a apenas um ponto da zona de rebaixamento à Terceira Divisão estadual. Mas não é só isso: sem dinheiro, o clube atrasou os salários dos atletas, que recebera com cheques sem fundos na semana passada. Uma greve só não foi decretada pelos jogadores graças à ajuda de um torcedor do clube, que emprestou o dinheiro.

 

* Márcio Trevisan é jornalista esportivo há 29 anos. Começou no extinto jornal A Gazeta Esportiva, onde esteve por 12 anos. Passou, também, pelas assessorias de Imprensa da SE Palmeiras e do SAFESP, além de outros órgãos. Há 11 anos iniciou suas atividades como Apresentador, Mestre de Cerimônias e Celebrante, tendo mais de 390 eventos em seu currículo. Hoje, mantém os sites www.senhorpalmeiras.com.br e www.marciotrevisan.com.br. Contato com o colunista pelo e-mail trevisan.marcio1968@uol.com.br

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