A Libertadores e as cores da Conmebol

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Márcio Trevisan

* Márcio Trevisan – Ainda que recentemente tenha sido bafejada com os sempre refrescantes ventos da mudança, a verdade é que a Confederación Sudamericana de Fútbol (assim mesmo, com o nome oficial sendo escrito em espanhol – e que se danem aqueles que no continente falam outro idioma) ainda não conseguiu – e talvez jamais consiga, pois na verdade não o quer – se livrar do ranço preconceituoso contra o futebol brasileiro.

Se em nível de seleções tal postura pouco ou quase nada atrapalha, visto que normalmente a Canarinho sempre é superior aos demais países. No que diz respeito às competições clubísticas, são inúmeras as vezes em que times do Brasil foram alijados por “erros” de arbitragem. Ou alguém já se esqueceu do que fizeram com o Palmeiras em 2000 ou com o Corinthians em 2002, só para ficarmos em dois exemplos?

Desta vez, temo que novamente corremos o risco de assistir ao mesmo filme. A morte de Diego Armando Maradona, maior ídolo do futebol argentino e, consequentemente, da Conmebol (que, por motivos mais do que óbvios, não está nem aí para Pelé), causou uma comoção mundial. Até aí, nada de anormal, já que se tratou de um gênio que em muito contribuiu para o engrandecimento do futebol.

O problema é que, meio até que para ver se iria “colar”, a entidade tornou pública a ideia de transferir a finalíssima da Copa Libertadores da América, marcada para o Maracanã, para o Estádio Alberto Jacinto Armando, mais conhecido como “La Bombonera”, a casa do Boca Juniors/ARG, como forma de homenagear o eterno ídolo do… Boca Juniors/ARG!

Aí, pergunto: que graça teria isso se, na partida decisiva, não estivesse presente o mais popular clube argentino? Como deu muito na vista e a repercussão lhe foi extremamente negativa, a Conmebol decidiu, então, manter o jogo final para o Rio de Janeiro/RJ.

Mas é aí que mora o perigo. O fato de não ter levado a ideia avante não significa que algo não será feito para que o clube de Buenos Aires/ARG esteja presente na decisão. Afinal, dá para imaginar a alegria portenha se, no gramado do estádio mais famoso do Brasil, o time a levantar a taça for um argentino?

Obviamente, o Boca Juniors/ARG, embora hoje não seja mais o quase imbatível time de outrora, tem camisa e futebol para ganhar no campo o direito de chegar à finalíssima e, claro, também de ser campeão mais uma vez. Mas, se puder contar com o famoso e quase sempre lhe favorável “apito amigo”, tanto melhor, certo?   

Por isso o Racing/ARG, próximo adversário boquista, deve ficar muito atento às arbitragens das duas partidas. Da mesma forma devem agir os brasileiros de Grêmio/RS ou Santos, pois um deles será o oponente da equipe auriceleste caso ela se classifique às semifinais. E, claro, River Plate/ARG e Palmeiras, provavelmente os semifinalistas do outro lado da chave, igualmente têm motivos de sobra para se preocuparem.

É que se depender da Conmebol, em 30 de janeiro de 2021 o Maracanã verá uma festa em azul e amarelo.

Márcio Trevisan

* Márcio Trevisan é jornalista esportivo há 32 anos. Começou no extinto jornal A Gazeta Esportiva, onde atuou por 12 anos. Passou, também, pelas assessorias de Imprensa da SE Palmeiras e do SAFESP, além de outros órgãos. Há 14 anos iniciou suas atividades como Apresentador, Mestre de Cerimônias e Celebrante, tendo mais de 450 eventos em seu currículo. Hoje, mantém os sites www.senhorpalmeiras.com.br e www.marciotrevisan.com.br. Contatos diretos com o colunista podem ser feitos pelo endereço eletrônico

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