À espera do Quarteto Fantástico

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* Márcio Trevisan – O Campeonato Brasileiro de 2020 é um torneio atípico. Disputado em meio a uma pandemia que insiste em permanecer por aqui, os jogos não têm a presença da torcida e, com isso, muitas partidas do que teriam um favorito acabam por ter no equilíbrio seu fator determinante e, talvez por isso, o início dos quatro grandes paulistas tenha sido bem aquém daquilo que seus torcedores esperavam.

Mas antes de falarmos do momento por que passam os maiores clubes do Estado vale um registro importante: desde que começou a ser disputado no sistema de pontos corridos, em 2003 – este é, portanto, o 18ª ano consecutivo com a mesma fórmula –, a festa foi bandeirante em nada menos do que 10 vezes: quatro com o Corinthians (2005, 2011, 2015 e 2017), três com o São Paulo (2006, 2007 e 2008), duas com o Palmeiras (2016 e 2018) e uma com o Santos (2004).

Além disso, estes times alcançaram o vice-campeonato em sete edições: Peixe (2003, 2007, 2016 e 2019), Tricolor (2004 e 2014) e Verdão (2017). Por fim, e talvez seja este o número que melhor reflete a superioridade paulista em nível nacional, nossas principais equipes apareceram nada menos do 34 vezes nas cinco primeira colocações.

Daí a surpresa negativa que todos eles vêm mostrando até aqui. Mesmo levando-se em consideração que foram realizadas apenas três rodadas e que destas apenas o Santos esteve presente em todas, os resultados e, principalmente, o futebol apresentado pelo nosso “Quarteto Fantástico” deixa muito a desejar.

Nem mesmo Palmeiras e Corinthians, respectivamente campeão e vice do último Paulistão, agradam a quem quer que seja. Aliás, bem ao contrário: ambos os rivais são até bem parecidos no modo de jogar – ou de “não jogar”, se preferirem. Não têm criação alguma no meio-campo, pouquíssima força ofensiva e excessiva quantidade de passes laterais que, obviamente, não levam time nenhum a lugar algum.

O Santos, por sua vez, resolveu trocar de técnico às vésperas da estreia e, mais uma vez, apostou em Cuca. Bom treinador? Sem dúvida, mas que passou pela Vila Belmiro há bem pouco tempo e não deixou saudades quando saiu. Além disso, enfrenta terríveis problemas financeiros que, claro, acabam por influenciar no rendimento dentro de campo.

Já o Tricolor vive o que se pode chamar de um inferno astral aparentemente sem fim. Após ser vergonhosamente eliminado dentro de casa pelo pequeno Mirassol e não chegar sequer às semifinais do Campeonato Paulista, a equipe enfrenta a ira de uma torcida que não sente o sabor de uma conquista há exatos oito anos e que quer, de qualquer jeito, as cabeças do técnico Fernando Diniz e do coordenador técnico Raí.

Então, o futuro dos nossos clubes neste Brasileirão está ameaçado, certo? Talvez não. É que em um torneio tão longo quanto este ainda há muito o que acontecer. E como o “Quarto Fantástico” não costuma abrir mão de seu protagonismo, não será surpresa se em fevereiro de 2021 a situação for completamente inversa.

Afinal, se já temos um virado, por que não poderemos ter também uma virada à paulista…???

Márcio Trevisan

* Márcio Trevisan é jornalista esportivo há 31 anos. Começou no extinto jornal A Gazeta Esportiva, onde esteve por 12 anos. Passou, também, pelas assessorias de Imprensa da SE Palmeiras e do SAFESP, além de outros órgãos. Há 14 anos iniciou suas atividades como Apresentador, Mestre de Cerimônias e Celebrante, tendo mais de 450 eventos em seu currículo. Hoje, mantém os sites www.senhorpalmeiras.com.br e www.marciotrevisan.com.br. Contatos diretos com o colunista podem ser feitos por meio do endereço eletrônico apresentador@marciotrevisan.com.br.

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