A alma das empresas

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* Rafael Cervone – Neste Dia do Trabalho, cabe enfatizar a resiliência, competência e coragem de todos os brasileiros que, nas fábricas, lojas, instituições de saúde, financeiras e de serviços, no meio rural, organismos públicos ou atuando de modo remoto, estão mantendo a economia viva e contribuindo para o enfrentamento e superação da crise da Covid-19, uma das mais graves da História. Refiro-me não apenas aos colaboradores das empresas, mas também aos empregadores e gestores, pois estamos todos juntos na luta por nossas famílias, nossa vida e nosso país. E é assim que vamos vencer a pandemia e recolocar o Brasil no caminho do desenvolvimento sustentado.

Mais do que nunca, em meio às adversidades presentes, percebemos o valor do trabalho e seu significado como o mais eficiente e digno meio de inclusão socioeconômica e acesso pleno às prerrogativas da cidadania. Seu objetivo, portanto, é focado no bem-estar dos indivíduos e da sociedade. É gente somando esforços e competências para o benefício de todos. As pessoas são a grande essência e o fim de todas as atividades e organizações. São elas os agentes das mudanças e dos avanços da humanidade.

Pensando nisso, é fundamental capacitar os recursos humanos para as transformações da estrutura de produção e consumo, aceleradas pela pandemia. Digitalização da economia, internet das coisas, machine learning, inteligência artificial, robotização e drones serão cada vez mais presentes no advento da chamada Manufatura Avançada, próximo passo do desenvolvimento da indústria.

Os profissionais precisarão estar aptos a atuar em ambientes de alta tecnologia, num cenário disruptivo da estrutura do trabalho. A prestação de serviços nem sempre será presencial ou para empregador único. As pessoas poderão, a partir de suas casas, atender várias empresas, não necessariamente no mesmo país. Portanto, há uma grande demanda relativa à formação e à capacitação. Precisamos, também, atualizar a CLT, pois, a despeito da reforma já realizada, é anacrônica e focada na garantiado emprego. Mas, a partir de agora, necessitaremos de uma legislação que garanta o trabalho.

Para o atendimento a essas transformações, não bastará a imprescindível adequação do ensino técnico e do acadêmico. A preparação dos trabalhadores precisa começar na Educação Infantil e se estender por todas as etapas. Muitas crianças e adolescentes de hoje terão profissões que sequer foram inventadas. Além disso, precisarão ter mais inteligência emocional, flexibilidade, alta capacidade de interação com pessoas de idades e culturas diferentes, devendo saber lidar melhor com diversidade, pressões e desafios do cotidiano. Tais virtudes serão tão ou mais importantes do que as competências do conhecimento profissional.

No universo da indústria, o Sesi, na Educação Básica, e o Senai, na formação técnica e acadêmica, são fundamentais no novo cenário de transformações do trabalho. Por isso, as duas instituições têm missão relevante no plano de governança do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP) proposto pela Chapa 2, na qual sou candidato a presidente, nas eleições de 5 de julho próximo. Nosso projeto foi intitulado de 5G, numa analogia com essa tecnologia revolucionária. O primeiro G é o de Gente, pois são as pessoas que fazem as empresas, as instituições e as entidades de classe. São a alma das empresas. Portanto, sua capacitação, por meio de um modelo eficaz de ensino, é prioritária. Os quatro outros Gs são Gestão, Governança com Responsabilidade Social e Ambiental, Globalização e Gosto pela Mudança.

Embora o Sesi e o Senai sejam vinculados à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), é necessário que a rede do CIESP tenha acesso às escolas, que as indústrias associadas sejam bem atendidas por elas e possam contribuir para seu constante aperfeiçoamento, inclusive com propostas customizadas conforme as peculiaridades regionais. Por isso, é primordial a união e a sinergia das duas entidades, que garantimos na composição das candidaturas para as eleições deste ano. Na Chapa 2 do CIESP, sou postulante a presidente e Josué Gomes, primeiro-vice. Na chapa única da FIESP, as posições invertem-se.

Caminharemos unidos na nova gestão, que começará em janeiro de 2022, não somente na atuação sinérgica das duas entidades, como também em conjunto com as empresas de nosso setor no Estado de São Paulo, ou seja, com as pessoas, colaboradores e empresários, que constituem a essência da indústria, produzindo, inovando, gerando conhecimento, tecnologia e renda. É com esses propósitos que, priorizando Gente, celebramos com esperança este Dia do Trabalho!

* Rafael Cervone, empresário, é vice-presidente da Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP/CIESP).

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