Empreendedores do Centro Logístico enfrentam críticas em audiência pública

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George Garcia (Repórter Diário) – Nesta segunda-feira (10/12) os empreendedores do Centro Logístico Campo Grande, empreendimento que visa licenciamento para se instalar nas proximidades da vila ferroviária de Paranapiacaba, enfrentaram muita resistência de movimentos ambientalistas e dos que defendem o patrimônio histórico da vila, na primeira audiência pública que integra o processo de licenciamento ambiental do empreendimento.

As principais críticas estão relacionadas a supressão da vegetação e seu impacto na flora e fauna, o aumento de tráfego de caminhões na Rodovia Antonio Adib Chamas que dá acesso à Vila. O projeto do Centro Logístico está orçado em R$ 780 milhões e deve ser implantado ao longo de 20 anos, gerando aproximadamente 1,2 mil empregos.

A audiência aconteceu no Fundo Social de Solidariedade de Rio Grande da Serra, e contou com aproximadamente 300 pessoas que partiram para o ataque assim que as explanações dos empreendedores tiveram início. Uma a uma, as entidades presentes, pessoas que moram na vila ou nas cidades de Santo André, Rio Grande da Serra e Ribeirão Pires externaram suas preocupações com o dano ambiental provocado pelo empreendimento.

De outro lado os empreendedores e seus representantes tentaram demonstrar os benefícios da instalação do centro logístico, amparando suas falas em desenvolvimento  econômico, geração de empregos e que todas as compensações ambientais seriam feitas dentro da lei.

“O Centro Logístico ficaria em frente ao pátio de manobras da linha férrea, o único trecho retilíneo entre o planalto e Santos. Nesse trecho, a capacidade de recebimento de carga é de 61 milhões de toneladas por ano, sendo que no trecho de Paranapiacaba é de 28 milhões de toneladas por ano. Só isso já justificaria a instalação”, disse Jael Hawet, empreendedor representante da família dona do empreendimento. “Todas as áreas destinadas à preservação, todas elas, inclusive as nascentes, serão preservadas”, destacou.

O engenheiro agrônomo Sergio Pompeia, da consultoria CPEA(Consultoria, Planejamento e Estudos Ambientais) e que coordenou o EIA (Estudode Impacto Ambiental) explicou que a Gleba C, que corresponde a segunda fase doempreendimento não foi considerada durante a audiência porque, segundo ele, aalteração feita na Luops (Lei de Uso e Ocupação e Parcelamento do Solo)aprovada pela Câmara no último dia 29, impede sua utilização. “Isso não muda oempreendimento”, apontou.

O engenheiro disse ainda que será feito o tratamento do esgoto gerado no local, garantiu que os trabalhadores serão contratados na região e que os caminhões não vão trafegar até Paranapiacaba. “O EIA prevê inclusive um programa de desenvolvimento turístico”. Juscelino Oliveira contrapôs o que foi exposto pelos empreendedores e disse que a supressão de mata vai influenciar nas chuvas na região.

As explicações dos empreendedores não convenceram a plateia formada por ambientalistas, moradores e pequenos empreendedores que vivem do turismo naquela região. Marcos de Alcântara Marinho, o primeiro a usar a palavra, apontou que o empreendimento vai gerar um movimento de 2,3 mil caminhões por dia na rodovia. “O impacto será enorme”, acusa.

José Soares da Silva, representante do MDV (Movimento em Defesa da Vida), após rezar o Pai Nosso em TupiGuarani, questionou a própria audiência pública. “Na cidade não havia uma faixa sequer avisando desta audiência, o que a torna irregular”.

“Estão querendo plantar coisas que poluem, esse empreendimento não traz nada de bom para a cidade”, assinalou Joel de Oliveira, da Associação dos Moradores de Ribeirão Pires. Mas foi o representante do Sindicato dos Servidores do Estado, Juscelino Oliveira, que foi mais duro. Ele citou o Rodoanel Mário Covas, que passa pela região como exemplo. “É um absurdo o que disseram que a falta de mata não vai interferir nas chuvas. Sofremos muito com o Rodoanel, e quase ninguém foi indenizado; temos famílias sem casa em Ribeirão Pires, também disseram que iam proteger mais soterraram mais de 600 nascentes. Não ao Porto Seco”.

Valdinete Maria Marques lembrou que a vila, que é candidata a patrimônio da humanidade pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) pode ser prejudicada com o empreendimento. “Como vão estar em consonância com o turismo sustentável retirando 910 mil hectares de mata?”, indagou.

O empresário Jael Hawet, respondeu acusação de que sua família teria desmatado a região nos anos 50. Destacou que a Mata Atlântica se regenerou a partir da proteção que foi feita naquela área. Disse que está preparado para as críticas e que elas foram levadas em consideração. “A audiência é um momento democrático, o importante é a gente ouvir todo mundo. Eu fico feliz que as pessoas possam se manifestar e tudo que foi falado foi devidamente anotado, pois queremos fazer sempre um projeto melhor”, destacou.

Hawet também negou o impacto no trânsito com o movimento de caminhões. “Temos aí um mau entendimento do que está escrito. O projeto é basicamente ferroviário e o tráfego é sempre mínimo, o sistema é alimentado por trens o EIA tem um estudo do que a estrada tem condições técnicas de comportar”, explicou.

Sobre a mudança na Luops que resultou no congelamento da Gleba C do Centro Logístico, Hawet não quis comentar.  “Ainda não temos os estudos completos”,finalizou.

Também presente à audiência pública, Mayla Matsuzaki Fukushima, da diretoria de avaliação de impacto ambiental da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) disse que o empreendimento está em estudo e que ainda não foram emitidas licenças. “A análise está em curso e todos os órgãos serão ouvidos”.

A próxima audiência pública será em Santo André, na próxima segunda-feira (17/12), na Casa de Portugal (rua Nossa Senhora de Fátima,75 – Paraíso). O assunto também será debatido na reunião do Comugesan (ConselhoMunicipal de Gestão e Saneamento Ambiental de Santo. André) nesta terça-feira (11/12).

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