Emoção na apresentação do projeto de revitalização do Vera Cruz

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Da Redação – A concretização do sonho de fortalecer e promover o cinema nacional. Essa foi a definição encontrada por produtores, atores e autoridades que prestigiaram, na noite desta quarta-feira (5), a cerimônia de apresentação, para convidados da Prefeitura, do projeto de revitalização do Complexo Cinematográfico Vera Cruz, no bairro do Jardim do Mar.

O objetivo é que, com a concessão à iniciativa privada, o espaço novamente esteja relacionado às grandes produções audiovisuais do País, transformando a cidade num importante polo de produção cinematográfica com capacidade para, inclusive, criar empregos e renda nesse setor econômico.

Além do prefeito Luiz Marinho e de representantes da empresa vencedora da licitação, a Telem S.A (Técnicas Eletro Mecânicas), compareceram ao evento o ministro da Cultura, Juca Ferreira, o diretor-presidente da Agência Nacional de Cinema (Ancine), Manoel Rangel, o diretor-presidente da Spcine, Alfredo Manevy, o secretário municipal de Cultura de São Paulo, Nabil Bonduki, o ator Sérgio Mamberti e secretários municipais.

Emocionado, Marinho lembrou que a revitalização do espaço estava em seus planos desde 2008, quando da montagem de seu programa de governo. “Naquela época já falávamos desse sonho. Entendemos que investir na cidade vai muito além de obras. Investir em cultura é promover o desenvolvimento de um povo. Esperamos que esse espaço volte a movimentar a indústria do cinema, gerar empregos na cidade, e que São Bernardo possa representar o povo brasileiro em suas produções locais.”

Para Juca Ferreira, a reabertura do Vera Cruz vai reinserir o município na ordem do cinema nacional. “Essa iniciativa marca o momento de reafirmação da confiança do futuro da economia do País e do cinema nacional. É o resgate do sonho de centenas de pessoas ligadas ao mundo do cinema e do audiovisual.”

Segundo Manoel Rangel, a meta é fazer com que o Brasil esteja, até 2020, entre os cinco maiores produtores de audiovisual do mundo. “Nos últimos 12 anos o país passou a ter uma política inclusiva de cinema e audiovisual, que abriu perspectivas para milhares de profissionais. É uma área em franca expansão. No ano passado foram exibidos nos cinemas nacionais 110 filmes. A revitalização desse símbolo do cinema nacional vai dar um novo impulso à produção e formação de novos profissionais”, avalia.

O filho adotivo de Mazzaropi, André Luiz Mazzaropi, se emocionou ao falar da reabertura do Vera Cruz. “Era um sonho dele o resgate desse espaço. Depois do fechamento (1972), às vezes ele vinha aqui para relembrar os bons tempos e chorava. Ele era conhecido de todos e os porteiros abriam as portas para a gente. Estar aqui depois de 40 anos é ver renascer o sonho do meu pai.” Único filho vivo do comediante, André Luiz, que mora em Taubaté, também é ator e produtor.

Projeto de revitalização – O contrato de concessão, válido por 30 anos, foi assinado no dia 23 de junho. A previsão é que a iniciativa privada invista no complexo cerca de R$ 156 milhões. Com esses recursos serão criados sete estúdios, salas de pré e pós-produção, estacionamento, teatro com 850 lugares, cinema digital para 100 pessoas, espaço de convivência e o Memorial da Cia. Vera Cruz, com acervo iconográfico adquirido da família Khouri e peças pertencentes ao município. Todas as intervenções nos 45.600 m² do complexo vão respeitar as linhas arquitetônicas originais da construção.

O Centro de Audiovisual (CAV), hoje localizado no Bairro Planalto, será transferido para o Complexo Vera Cruz e passará a ser custeado pela empresa concessionária, o que vai permitir ampliar sua capacidade de atendimento. Além disso, será criada Incubadora de Empresas para incentivar e fomentar o setor audiovisual do município.

A empresa poderá explorar comercialmente o empreendimento e deverá realizar, também, a manutenção do complexo. Já a Prefeitura vai gerir os programas de formação e fomento da cadeia local de audiovisual, com incentivo à participação dos munícipes nesse processo.

Um pouco de história – Criada em 1949 por Franco Zampari e Ciccilo Matarazzo, em uma antiga granja em São Bernardo do Campo, os Estúdios Vera Cruz foram a terceira companhia cinematográfica implementada no Brasil. Revelou e projetou grandes nomes do cinema, como Tônia Carrero, Anselmo Duarte, Eliane Lage, Marisa Prado e Renato Consorte.

Diversos filmes com o comediante Mazzaropi, também uma descoberta da Vera Cruz, foram realizados no local, além de longas-metragens que marcaram época, como Caiçara, Cangaceiro, Sinhá Moça, Nadando em dinheiro, Uma pulga na balança, Carandiru, Garotas do ABC e Sábado.

Depois de várias crises financeiras, os estúdios encerraram suas atividades em 1972. O complexo, então, foi tombado em função de seu valor artístico-cultural para a região do ABC e o Estado de São Paulo.

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