Os autógrafos de Pelé

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Márcio Trevisan

* Márcio Trevisan – Em minha carreira profissional, entrevistei o agora octogenário Pelé três vezes: a primeira em 1989, durante um torneio internacional organizado pelo narrador Luciano do Valle que contou com a participação de grandes craques do passado; a segunda quando ele era “comentarista” de uma emissora de TV durante as Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1994; e a terceira na época em que comandava o Ministério dos Esportes do Governo de Fernando Henrique Cardoso, em 1995.

Mas foi em nosso primeiro encontro que se deram as histórias que dividirei com vocês agora e que, creio, mostrarão a todos como é o cara no que diz respeito à sua forma de tratar os fãs.

Assim que terminou a entrevista coletiva no Salão Nobre do Pacaembu, um mundo de jornalistas se aproximou de Pelé para tirar uma foto e/ou pedir um autógrafo. Afinal, embora fôssemos todos profissionais, não era a toda hora que tínhamos a chance de estar frente a frente com o Rei do Futebol. Um colega da Imprensa mineira foi mais ágil do que todos e, de bloquinho na mão, dirigiu-se até ele pedindo para que assinasse o pedaço de papel. O problema é que a caneta do tal repórter falhou, e então se deu o seguinte diálogo entre ambos:

– Amigo, esta caneta não está funcionando…, disse o eterno craque, o que evidentemente levou ao desespero o membro da Imprensa que, aos berros, implorou:

– Pelo amor de Deus, alguém me empreste uma caneta!!!

Pelé, então, olhou tranquilamente para ele e falou:

– Calma, companheiro. Eu não sou jornalista, mas também tenho uma caneta.

E assinou o papelzinho amarrotado, tirando do bolso esquerdo de seu paletó a sua Montblanc.

Imediatamente atrás estava eu, então com apenas 21 anos de idade e pouco mais de 6 meses de carreira. Eu também queria que o Atleta do Século me desse um autógrafo, só que, no meu caso, não seria apenas um, mas sim dois.

Explico: na época, tinha dois sobrinhos ainda bebês e queria que cada um tivesse a sua própria lembrança. Mas como pedir a Pelé, em meio àquela gigantesca confusão e, ainda por cima, ao problema da caneta anterior, que me assinasse dois papéis? Nem a pau que ele iria topar, pensei. Assim, humilde, cheguei a ele e disse:

– Pelé, por favor: dedique este autógrafo ao Bruno e ao Gustavo.                                                                                            

– Mas é para o Bruno ou para o Gustavo?, me perguntou.

– Você pode escrever os nomes dos dois. Depois, eu tiro um xerox do original e dou a cópia para um deles.

Para minha enorme surpresa, o cara me disse o seguinte:

– Olha, vai por mim. É melhor eu dedicar um autógrafo ao Bruno e outro autógrafo ao Gustavo. Senão, é certo que vai dar briga depois, entende?

E, por mais incrível que possa parecer, foi exatamente isso o que aconteceu.

Hoje adultos, tanto Bruno quanto Gustavo ainda têm os dois papéis. Obviamente amarelados pelo tempo e com a tinta já bem fraquinha, é verdade, mas mesmo assim com a assinatura do melhor jogador de futebol que este mundo já viu. Ou verá.

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Márcio Trevisan

* Márcio Trevisan é jornalista esportivo há 31 anos. Começou no extinto jornal A Gazeta Esportiva, onde atuou por 12 anos. Passou, também, pelas assessorias de Imprensa da SE Palmeiras e do SAFESP, além de outros órgãos. Há 14 anos iniciou suas atividades como Apresentador, Mestre de Cerimônias e Celebrante, tendo mais de 450 eventos em seu currículo. Hoje, mantém os sites www.senhorpalmeiras.com.br e www.marciotrevisan.com.br. Contatos diretos com o colunista podem ser feitos pelo endereço eletrônico apresentador@marciotrevisan.com.br.

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