Dois anos de saudade, sem o “Coração Selvagem” da MPB

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* Gabriel Clemente – No último dia 30 de abril, foram completados dois anos sem um dos maiores expoentes da nossa Música Popular Brasileira (MPB), o genial cantor e compositor cearense Belchior, falecido em Santa Cruz do Sul (RS), de causas naturais, aos 70 anos.

Nascido Antonio Carlos Belchior, em Sobral (CE), certa época, o artista nordestino, sempre humilde e sereno, fez uma brincadeira, adicionando os sobrenomes dos pais ao seu, tornando-se “Antonio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes”, só para dizer que seria o “maior nome da MPB”.

Seu visual, aliado à sua cultura e genialidade, fizeram-no uma figura “sui generis”, conquistando ressonância de seus sucessos em âmbito internacional. O famoso bigode com os volumosos cabelos despenteados tornaram-no uma das maiores lendas da MPB.

A veia artística desse ‘monstro sagrado’ começou a aflorar, ainda criança, na sua terra natal. De 1965 a 1970, apresentou-se em vários festivais de música no Nordeste. Em 1971, quando se mudou para o Rio de Janeiro, venceu o IV Festival Universitário da MPB. 

Para a tristeza de seus fãs, o cantor deu um sumiço a partir de 2007. Ímpar, mas um tanto quanto irresponsável na sua vida privada, Belchior afundou-se em dívidas. Chegou a morar de favor na casa de fãs. Simplesmente abandonou um carro no estacionamento do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, cheio de multas, impostos e meses de cobrança do local a pagar.

Entre seus maiores sucessos estão “Paralelas”, que causou exitoso estrondo na voz de Vanusa e do próprio; “Medo de Avião” e os álbuns “Coração Selvagem” e “Divina Comédia Humana”.

Praticamente todo o país conhece essas composições e suas frases mais emblemáticas: “No Corcovado quem abre os braços sou eu…….Copacabana, esta semana o mar sou eu……” e “Foi com medo de avião, que segurei pela primeira vez a tua mão”.

Sensível e com arte à flor da pele, o compositor deixou uma declaração reflexiva que, certamente, ainda habita as mentes de muitos de seus fãs: “Eu tenho medo de abrir a porta que dá para o sertão da minha solidão”.

Verdade, mestre. Creio que todos nós temos. Saudades.

* Gabriel Clemente é jornalista graduado pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS). Atuou como assessor de imprensa político, repórter da rádio ABC e assistente de comunicação institucional do Centro Universitário Fundação Santo André (FSA).

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1 comentário on "Dois anos de saudade, sem o “Coração Selvagem” da MPB"

  1. CliqueABC

    Obrigado Gabriel Clemente por nos brindar com um texto tão bem escrito, na coluna Boa Prosa, igualmente à altura do homenageado, o cabeça chata e conterrâneo Belchior, nordestino e um dos grandes tupiniquins. Como conterrâneo de Belchior, me senti representado. Belchior vive! Em cada coração que fosse/seja capaz de se emocionar com as letras e melodias de suas composições. Foi por medo de avião!

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